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Franquia: de funcionário a chefe do negócio

Franquia: de funcionário a chefe do negócio

Atualizado: Sexta-feira, 10 Setembro de 2010 as 12:59

Proprietária de uma unidade da franquia Bit Company, escola de informática e qualificação profissional, Jocilene Cuter trabalhou na rede por oito anos em funções como as de pesquisadora de rua, digitadora, assistente da secretaria, vendedora e supervisora de vendas até chegar ao cargo de diretora e comprar sua própria unidade. A nova empresária personifica um movimento que, segundo especialistas, é cada vez mais recorrente no setor: o de funcionários de franquias que acabam abrindo seu próprio empreendimento.

Embora não existam dados precisos sobre o assunto, é possível perceber que o movimento tem se tornado mais habitual. “Isso é cada vez mais comum e acontecerá com frequência porque o mercado está pagando melhor, o que possibilita o investimento”, afirma Ricardo Camargo, diretor executivo da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Caracterizado por oferecer muitas oportunidades de emprego, o setor de franquias também investe no treinamento e capacitação de seus funcionários. Somente em 2009, conforme a ABF, o número de unidades das franquias cresceu 11%, chegando a quase 80 mil pontos de venda. Muitos desses novos empreendedores são os próprios funcionários que usam de seu conhecimento no ramo para se tornarem donos de empresas.

Com boas perspectivas para 2010, segundo estatísticas da associação, o setor deve aumentar seu faturamento em 18% na comparação com o ano passado, quando a receita total da indústria atingiu R$ 63 bilhões. O número de unidades, por sua vez, deve aumentar entre 10 e 12%. “As franquias mostram bons resultados e uma forte ascensão no faturamento e na quantidade de pontos de venda, o que indica boas oportunidades para os novos empreendedores”, diz Camargo.

Afinidade com o ramo

A expansão das redes franqueadas, no ano passado, resultou na abertura de 72 mil novos postos de trabalho, sendo o ramo responsável por mais de 700 mil empregos diretos. Tais resultados e a possibilidade de ascensão na carreira acabam impulsionando funcionários da rede a abrirem suas próprias franquias. “A principal vantagem desses novos empreendedores é que possuem familiaridade com o ramo de atuação”, afirma o diretor.

Jocilene Cuter, a proprietária da escola de informática, em Cotia (SP), cursou durante sua trajetória pós-graduação em administração de marketing e recursos humanos. Mais preparada e com um bom cargo, a diretora pensou em investir em um negócio próprio. “Passar de funcionária para franqueada foi algo que aconteceu naturalmente, com um processo de muito trabalho e dedicação”, diz a empresária. “Fui sendo promovida, guardava dinheiro e, quando achei que era a hora, abri minha unidade”.

Para montar sua franquia e organizar as finanças, a empresária contou com a ajuda de seu marido, Julio Cesar Cuter, e de sua cunhada, Ligia Maria Cuter Baptestone. Foram investidos inicialmente R$ 40 mil na empresa, que tem hoje 20 funcionários, 700 alunos e fatura cerca de R$ 50 mil por mês. “As experiências em funções anteriores me ajudaram porque eu conhecia a visão de funcionário, sabia o que esperar deles e da maneira como conseguir resultados melhores”, diz Jocilene.

Oportunidade em culinária chinesa

Outro exemplo de franqueado que iniciou como funcionário é Adriano Cesar Riboli, proprietário de três lojas da franquia de culinária chinesa Lig Lig. Em 1995, ele trabalhou na matriz da empresa como assistente administrativo, após seis anos foi promovido a gerente de franquia, acompanhando o andamento das lojas. Algum tempo depois, recebeu uma proposta de outra empresa e saiu da Lig Lig.

Em 2003, Riboli encontrou uma loja em São Paulo a um preço acessível e decidiu investir: foram menos de R$ 20 mil pela unidade. Outros R$ 20 mil foram gastos em reformas e publicidade. Com o bom funcionamento da franquia, ele e a esposa partiram para uma segunda loja. Dois anos depois, Riboli passou a se dedicar exclusivamente ao novo empreendimento. “O maior desafio foi entender que de funcionário passei a administrador - e que havia mais responsabilidades. No começo foi um pouco assustador, mas aos poucos ganhei confiança”, diz.

A experiência adquirida durante o período de funcionário fez com que o empresário acumulasse conhecimento sobre a Lig Lig, o que facilitou na condução das franquias adquiridas. “Trabalhando na rede conheci todos os erros e acertos dos franqueados, convivi com várias situações e isso me ajudou muito”, diz Riboli. Em 2008, ele ainda compraria uma terceira unidade. Foram gastos cerca de R$ 150 mil para a aquisição e montagem do empreendimento, que possui assim como os demais, 15 funcionários.

Para o diretor da ABF, há desafios para o novo franqueado mesmo com as experiências anteriores como funcionário. “O importante é perceber sua nova condição e cuidar do todo. Será preciso dedicar-se mais, fazer cursos e acumular experiências de liderança”, afirma.

Postado por: Thatiane de Souza

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