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Greve tem adesão da maioria dos funcionários, diz sindicato

Greve tem adesão da maioria dos funcionários, diz sindicato

Atualizado: Quinta-feira, 31 Março de 2011 as 8:41

Operários do canteiro de obras do Porto do Açu, um dos principais projetos do empresário Eike Batista, cruzaram os braços e bloquearam nesta quarta-feira (30) os acessos ao empreendimento, no litoral norte do Estado do Rio de Janeiro.

Segundo o sindicato dos trabalhadores da construção civil da região, a maior parte dos 1.200 funcionários do consórcio construtor do Açu aderiu à greve.

O movimento foi desencadeado no final da tarde de terça-feira. Com pneus e galhos de árvores, um grupo de 300 funcionários bloqueou a estrada vicinal que dá acesso ao canteiro de obras, numa região isolada de um distrito de São João da Barra. Não houve incidentes violentos.

O bloqueio era mantido até o final da tarde desta quarta-feira, deixando carretas com suprimentos para a obra retidas, à espera da negociação entre sindicalistas e representantes do consórcio na delegacia regional da cidade vizinha de Campos dos Goytacazes.

Segundo José Eulálio, presidente do sindicato, a categoria reivindica a equiparação dos salários dos operários ao piso de R$ 1.018, que teria sido estabelecido em convenção desde fevereiro do ano passado, e reajuste de 15% sobre este valor.

Segundo o sindicalista, a empresa paga atualmente R$ 935. Os operários também querem o pagamento das horas de transporte até o canteiro de obras, adicional de 30% a título de periculosidade e plano de saúde familiar.

- A empresa vinha resistindo e decidimos parar. Se a empresa aceitar oferecer de imediato pelo menos um dos três itens principais da pauta, voltamos ao trabalho para continuar a negociação.

Ao todo, 2.000 pessoas trabalham nas obras do Porto do Açu, que recebe quase R$ 4,3 bilhões em investimentos da LLX, empresa do grupo EBX, de Eike Batista, e da mineradora Anglo American.

A greve envolve apenas os funcionários da construtora ARG, que integra o consórcio de construção civil com a Civil Port Engenharia. Eulálio admitiu que as revoltas recentes de operários da construção civil que paralisaram grandes obras, como as das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, inspiraram o movimento dos trabalhadores no Açu.

- Não gostaríamos que algo extremo acontecesse, mas se os outros companheiros estão lutando por seus direitos, porque ficaríamos de braços cruzados? As condições de trabalho aqui também são horríveis. Há muitos acidentes, que são subnotificados.

Além de um terminal portuário para minério de ferro e capacidade para movimentar outras mercadorias, o Açu terá anexo um complexo industrial com estaleiro, duas siderúrgicas e uma usina termelétrica. O início da operação está previsto para 2012 e a LLX informou hoje que a greve não altera o cronograma.

Nenhum representante da LLX quis dar entrevista, mas, em nota, a companhia afirmou que a ARG concordou com as reivindicações dos trabalhadores.

- A LLX cumpre rigorosamente todas as normas e determinações da legislação trabalhista, além de exigir em contrato o mesmo padrão de seus parceiros.

Procurada, a ARG não retornou os contatos.

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