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Indústria têxtil quer exportar roupas de ginástica para o norte da África

Indústria têxtil quer exportar roupas de ginástica para o norte da África

Atualizado: Quarta-feira, 4 Fevereiro de 2009 as 12

A indústria têxtil brasileira quer levar mercadorias para o norte da África, com a marca Brasil, por considerar que essa forma de atuação é a mais agressiva na disputa de mercado com produtos da Europa e dos Estados Unidos. Na missão comercial que visitou a Líbia, Argélia, Tunísia e Marrocos na última semana, o setor têxtil esteve representado por um fabricante de roupas para ginástica (fitness).

A Bia Brazil, que já exporta 90% de sua produção para mais de 30 países e é a quinta no ranking de vendas nos Estados Unidos, inicia agora o desafio de chegar a países onde praticamente toda a população tem a religião muçulmana e ainda não despertou para a cultura do corpo.

A proprietária da marca, Beatriz Wilhelm Dockhorn, diz ter consciência da dificuldade de vender calças, shorts e tops que modelam a silhueta feminina em países em que as mulheres são obrigadas a usar roupas longas e largas e lenços na cabeça. No entanto, ela voltou otimista com o resultado dos contatos feitos nos quatro países visitados.

"Não há grandes academias de ginástica nesses quatro países, com exceção da cidade de Casablanca, no Marrocos. Isso não significa que as pessoas não façam exercícios físicos. Mesmo na Líbia, onde a resistência é maior, existem salas de ginástica e lá as mulheres praticam aulas em horários e dias específicos, só para elas, e, claro, tiram aquelas roupas pesadas e usam malhas ou lycra", diz Beatriz.

"Na Argélia, a situação é semelhante, mas na Tunísia e no Marrocos temos grandes chances de vender roupas de fitness. O importante é conhecer e respeitar a cultura de cada país", contou.

Fernando Pimentel, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), que também acompanhou a missão, enfatizou que a demanda não só pela marca Brasil como por tecidos, malhas e fios já foi identificada. Agora, assinala, o setor tem que avançar para conquistar o mercado, hoje dominado pela União Européia e Estados Unidos.

"As negociações do Brasil com outros países estão restritas ao Mercosul e à comunidade andina, o que faz com que nossos produtos sejam taxados nos Estados Unidos e na Europa. Mas estamos com uma consulta aberta no Mercosul para que o Brasil possa fazer um acordo de preferência tarifária com o Marrocos, o que nos deixa mais otimistas na conquista pelo mercado da África como um todo", explicou.

No ano passado, a indústria têxtil do Brasil exportou cerca de US$ 40 milhões para a África. Isso, segundo Pimentel, significa apenas 0,5% do conjunto de importações do Continente Africano, que tem 53 países e uma população de 800 milhões de pessoas. "Em 2008, as importações do setor têxtil da África giraram em torno de US$ 19 bilhões e os maiores parceiros são a China e os Estados Unidos".

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