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Investidor estrangeiro da Bolsa foge com expectativa de queda em ações da Petrobras e da Vale

Investidor estrangeiro da Bolsa foge com expectativa de queda em ações da Petrobras e da Vale

Atualizado: Quinta-feira, 14 Agosto de 2008 as 12

A saída de investimentos estrangeiros da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) se deve à expectativa de redução dos rendimentos dos papéis da Petrobras e da Vale. A explicação é do economista e sócio da MCM consultoria, Antonio Madeira.

Dados da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) revelam que até o dia 7 deste mês, o saldo líquido deste ano, resultado da entrada e saída de recursos externos, ficou negativo em R$ 15, 418 bilhões.

Para Madeira, os papéis das duas empresas ?passam por um momento difícil, tanto por fatores internos quanto externos?. Ele destacou que há percepção de que a economia mundial crescerá menos e, por conseqüência, a demanda por produtos da Petrobras e da Vale diminuirá. ?O preços poderão recuar e o mercado antecipa isso?.

No caso do mercado interno, Madeira afirma que os investidores estrangeiros apostavam que, com a exploração de petróleo abaixo da camada pré-sal, os ganhos da Petrobras no futuro iriam aumentar. Entretanto, o governo estuda mudanças na lei do Petróleo para que recursos arrecadados com a exploração possam ser empregados em favor da educação e na redução da pobreza, como afirmou na terça-feira, dia 12 de agosto, o presidente Luís Inácio Lula da Silva.

O economista Décio Munhoz explica que apesar de o investimento estrangeiro em carteira caminhar para o o terceiro mês consecutivo de saldos negativos (R$ 7,415 bilhões em junho, R$ 7,626 bilhões em julho e R$ 1,134 bilhões até o dia 7 de agosto) esses recursos investidos em bolsas não entram para financiar a economia brasileira. ?São recursos que vêm para ganhos substanciais de curto prazo e vão embora?.

Para Munhoz, é necessário que se volte a ter regras de permanência mínima desses investimentos. ?Na época do Collor [ presidente Fernando Collor de Melo ]  removeram as regras para permitir que o capital entrasse e saísse e operasse todos os títulos, inclusive derivativos cambiais, que é onde o Banco Central está perdendo recursos ano após ano?, afirmou.

Ele lembrou que no ano passado o Banco Central registrou prejuízo de cerca de R$ 48 bilhões, valor coberto com recursos do Tesouro Nacional. ?Foi quase todo o superávit primário do ano passado?, disse. Na opinião do economista, deve ser revista também a ?libertade do Banco Central? na atuação com os derivativos cambiais. Munhoz explica que o investimento estrangeiro em carteira pode pressionar dólar para baixo, o que dificulta as exportações e atrai a entrada de produtos importados para o país. "É por isso que as importações estão crescendo?.

O economista explicou, entretanto, que os investidores estrangeiros em carteira não conseguem deixar o país de uma vez. ?A porta é estreita. Os primeiros saem, mas se todos correrem para comprar dólar para ir embora o preço do dólar sobe e aí não tem jeito?.

Munhoz afirma que o que interessa ao país é a aplicação de recursos com interesse duradouro na economia brasileria - o investimento estrangeiro direto (IED). O investimento estrangeiro em carteira depende da conjuntura de curto prazo, ou seja, se há perspectiva de redução dos ganhos, os investidores buscam aplicações em outros locais.

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