MENU

Japão gastará 10 tri de ienes em reconstrução após terremoto

Japão gastará 10 tri de ienes em reconstrução após terremoto

Atualizado: Sexta-feira, 13 Maio de 2011 as 11:45

TÓQUIO - O governo japonês gastará cerca de 10 trilhões de ienes na reconstrução após o violento terremoto seguido de um tsunami em 11 de março no país. O gasto deve cortar em 1% o crescimento econômico do país este ano, previu o ministro da Economia do Japão, Kaoru Yosano, nesta sexta-feira.

Porém qualquer emissão de dívida adicional do governo para financiar esse esforço necessitará do apoio de uma fonte segura de financiamento, evitando-se assim qualquer problema para a credibilidade do Japão nos mercados financeiros, disse o ministro Yosano, titular para a Economia e a Política Fiscal, em entrevista à Dow Jones .

"Minha estimativa grosseira é de que o governo gastará cerca de pouco mais que 10 trilhões de ienes", disse Yosano. "Porém, se formos nos esquecer a disciplina fiscal e emitir títulos do governo sem qualquer filosofia básica para compensar essa dívida especial, a credibilidade do governo será atingida."

Yosano lembrou que o governo gastou cerca de 5 trilhões de ienes em reconstrução após um terremoto de magnitude 7,3 em Kobe, em 1995. Esse tremor causou um total de 10 trilhões em danos e deixou 6.400 mortos.

Usando esse caso como precedente, o ministro disse que o governo deve gastar 10 trilhões na reconstrução desta vez. A estimativa dos danos a estradas, prédios e outros tipos de infraestrutura pelo desastre de 11 de março ficou em entre 16 trilhões e 25 trilhões de ienes. O terremoto de magnitude 9,0 gerou um tsunami no nordeste do Japão, destruindo fábricas e gerando uma crise na usina nuclear Daiichi, em Fukushima, provocando problemas no fornecimento de energia. Também deixou cerca de 25 mil pessoas mortas ou desaparecidas, e cerca de 11.500 pessoas ainda precisam de abrigos em centros montados para lidar com a emergência.

Yosano disse que o impacto do desastre deve reduzir em 1% o crescimento econômico do país para este ano fiscal, que termina em março de 2012. Anteriormente, a previsão para esse crescimento para o período era de 1,6%.

Porém o ministro afirmou que a produção nas áreas afetadas deve voltar aos níveis anteriores ao terremoto até o fim do ano, citando uma projeção do Banco do Japão. O BC do país asiático previu um crescimento de 2,9% para o próximo ano fiscal. Questionado sobre a perspectiva para futuros gastos do governo e empréstimos que poderiam afetar o rating de crédito soberano do Japão, Yosano não chegou a afirmar que aumentar impostos será necessário, mas disse que o governo elaborará um plano para uma reforma tributária abrangente no mês que vem.

"A política requer, para dizer isso em belas palavras, portanto iremos simultaneamente reformar nossos sistemas de bem-estar e tributário", apontou ele, referindo-se ao atual debate no país sobre como financiar os crescentes gastos com o bem-estar social, diante de uma população que envelhece.

No mês passado, a Standard & Poor's cortou sua estimativa do rating soberano do Japão de estável para negativo, como reflexo do potencial para mais deterioração das condições fiscais do país após o desastre de março. As informações são da Dow Jones.   

veja também