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Juro bancário de pessoa física retorna ao nível de outubro de 2009

Juro bancário de pessoa física retorna ao nível de outubro de 2009

Atualizado: Quinta-feira, 24 Fevereiro de 2011 as 11:33

Os juros cobrados pelos bancos em suas operações de crédito com pessoas físicas, avançaram 3,2 pontos percentuais em janeiro deste ano, para 43,8% ao ano, informou o Banco Central nesta quinta-feira (24).

Em dezembro, os juros bancários das pessoas físicas estavam em 40,6% ao ano. De acordo com o BC, a taxa registrada em janeiro representa o maior patamar desde outubro de 2009, quando o juro das pessoas físicas estava em 44,2% ao ano.

A taxa média geral (empresas e pessoas físicas) de juros dos bancos também avançou no mês passado, quando atingiu 37,4% ao ano, na comparação com 35% ao ano em dezembro do ano passado. Ao mesmo tempo, também cresceram os juros cobrados nas operações com empresas, que passaram de 27,9% ao ano em dezembro para 29,3% ao ano em janeiro.

Medidas do BC

A subida na taxa básica de juros cobrada pelas instituições financeiras aconteceu após a decisão da autoridade monetária, no começo de dezembro, de aumentar a alíquota do recolhimento compulsório dos bancos, retirando R$ 61 bilhões da economia. Segundo pesquisa realizada pelo BC com o mercado financeiro, a medida equivaleu à uma subida da taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual.

Além disso, em janeiro, para controlar a inflação, o Banco Central subiu a taxa básica de juros de 10,75% para 11,25% ao ano no mês passado, também impactando os juros cobrados pelos bancos. A autoridade monetária avisou ainda que este será apenas o primeiro aumento na taxa Selic. O mercado financeiro espera que os juros básicos da economia avancem para até 12,50% ao ano em 2011 para tentar conter a propagação das pressões inflacionárias registradas neste início de ano.

Taxa de captação e spread bancário

Essas medidas impactaram a chamada "taxa de captação" dos bancos, ou seja, quanto as instituições financeiras pagam pelos recursos. A taxa de captação tem correlação com a curva da taxa de juros no mercado futuro. Em outubro do ano passado, antes das medidas, a taxa de captação estava em 11% ao ano. Em janeiro, já somava 11,8% ao ano.

Os dados do Banco Central mostram, também, que os bancos não só repassaram o aumento do custo de captação registrado para os seus clientes, como cobraram mais do que essa variação. Com isso, subiu o chamado "spread bancário", que é composto pela taxa de inadimplência, pelos tributos e custos administrativos, entre outros. No mês passado, o spread dos bancos somou 25,6 pontos, contra 23,5 pontos em dezembro.

Principais linhas de crédito

Em dezembro, a taxa média dos bancos nas operações com cheque especial de pessoas físicas somou 172,6% ao ano, com crescimento de 1,9 ponto percentual frente ao patamar de dezembro. Com isso, o juro do cheque especial continua sendo um dos mais altos de todas modalidades de crédito.

Para as operações de crédito pessoal com pessoas físicas, a taxa média cobrada pelas instituições financeiras avançou de 44,1% ao ano em dezembro para 48,3% ao ano em janeiro, informou o Banco Central, um forte aumento de 4,2 pontos percentuais.

Para aquisição de veículos, os juros médios das operações somaram 27,2% ao ano em janeiro, contra 25,2% ao ano em dezembro do ano passado. No mês passado, o BC também passou a cobrar mais capital dos bancos que operam linhas de crédito com prazo mais longo para compra de veículos.

No caso das linhas de crédito de empresas, a taxa para desconto de duplicata passou de 39,1% ao ano em dezembro para 42% ao ano em janeiro. Para capital de giro, os juros médios dos bancos foram de 29,3% ao ano em janeiro deste ano, na comparação com 27,3% em dezembro.

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