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Juros dos financiamentos de veículos vão diminuir para manter as vendas em alta

Juros dos financiamentos de veículos vão diminuir para manter as vendas em alta

Atualizado: Quarta-feira, 23 Junho de 2010 as 7:26

Passada a euforia da redução do IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) sobre os veículos, as montadoras já começam a recorrer a táticas antigas na tentativa de manter as vendas aquecidas, mesmo quando o consumidor já dá sinais de que pisou no freio.

Os juros dos financiamentos a 0,99% ao mês e os feirões de finais de semana devem voltar nas próximas semanas como forma de segurar os bons resultados que o setor acumula neste ano, segundo Décio Carbonari de Almeida, presidente da Anef (Associação Nacional da Empresas Financeiras das Montadoras).

-  A divulgação do aumento da taxa de juros [a Selic] acaba gerando um efeito psicológico nas pessoas, que acabam por adiar a compra de um veículo. A saída será as montadoras oferecerem taxas de juros subsidiadas, que foi um atrativo durante a crise em 2008.

Com a alta da taxa básica de juros, a Selic, os juros cobrados nos financiamento subiram de 2,45% para 2,51% ao mês, o que já acaba sendo mais um ponto negativo na hora de comprar o carro. Ao bancar o juros ao consumidor, as montadoras acabam ganhando em escala, ou seja, em número de carros vendidos, já que o financiamento é o principal meio de pagamento do brasileiro, como afirma Carbonari.

- O crescimento nas vendas ocorreu porque as pessoas que não tinha acesso ao crédito aumentaram a renda e puderam fazer o financiamento [...]. Quando a montadora banca os juros, ela mantém o atrativo, já que as pessoas podem levar um modelo mais equipado, com uma taxa de juros menor.

O prazo médio dos financiamentos tem sido 43 meses (quase quatro anos), mas já há montadoras dispostas a financiar a venda em até 80 meses (seis anos e meio) para que o consumidor saia da concessionária de carro novo. Além dos prazos longos para pagar e juros baixos, há também descontos em séries especiais e brindes, como afirma  André Guateli, supervisor de vendas da rede de concessionária Chevrolet Carrera.

- A montadora oferece bônus, como acessórios inclusos e descontos de até R$ 6.000 sobre o preço do veículo, dependendo do modelo. Temos feirões todo o mês, mas a procura já tem diminuído mesmo assim, na comparação com a época do IPI.

Somente na primeira quinzena deste mês, as vendas tiveram queda de 2,6% frente ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Fenabrave (Federação Nacional de Veículos). O motivo, como já era esperado, foi o fim da redução do IPI, em março deste ano, para os veículos flex, que respondem pela maioria das vendas.

Feirões

Nas quatro principais montadoras do país, Chevrolet, Volkswagen, Fiat e Ford, as promoções já estão valendo. Na Chevrolet, o consumidor já encontra alguns veículos com taxas de juros a 0,99%. A Fiat investiu no ''show do ofertas'' em concessionárias autorizadas na Grande São Paulo para impulsionar as vendas. Entre os destaques, está o modelo Linear LX 1.9 16 válvulas, que está sendo vendido por R$ 24.590 (entrada) mais 12 prestações de R$ 443 ou em 48 vezes de R$ 890.

A Ford informou que tem como estratégia realizar cerca de um feirão por mês dentro das concessionárias, além de quatro físicos fora das lojas por ano, nas principais capitais do país. Segundo Oswaldo Ramos, Gerente Nacional de Vendas, os feirões são aguardados pelos consumidores como a melhor forma de compra.

- Estas ações provocam picos de vendas, que são muito importantes para girar os estoques dos Distribuidores quando estes estão em níveis mais elevados. O percentual de vendas nos Feirões quando comparado ao varejo total varia muito de cidade para cidade e também pela localização do feirão.

Segundo Ramos, cerca de 30% do total de vendas realizadas em São Paulo foram em feirões, sendo que a maioria dos clientes usam o evento para pesquisar preços para depois fechar a comprar na loja. Atualmente, as taxas de juros usadas variam entre 1,36% a 1,49% ao mês.

A Volskwagen informou que a montadora realiza, em média, dez feirões por mês nas capitais e que um dos atrativos usados pela montadora é a troca do usado por um veículo novo, mediante o pagamento da diferença.

Por Giselli Souza

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