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Laboratório brasileiro de radiação já é o maior do hemisfério sul

Laboratório brasileiro de radiação já é o maior do hemisfério sul

Atualizado: Quarta-feira, 25 Agosto de 2010 as 11:02

Com foco na área de telecomunicações, o laboratório Certlab, de Campinas (SP), aumenta sua capacidade e se torna o maior do hemisfério sul em medições do nível de radiação emitida por celulares. O teste, conhecido como SAR (ou "taxa de absorção específica", na sigla em inglês), é uma das exigências da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para a comercialização dos telefones móveis. O laboratório possui três robôs que executam as análises e já atende a todos os fabricantes de celulares comercializados do Brasil.

O País é o único da América Latina em que é obrigatório medir a radiação eletromagnética emitida pelos celulares. Diante da procura crescente dos fabricantes, o Certlab, especializado em ensaios elétricos e magnéticos, adquiriu da Suíça mais robôs para expandir sua capacidade. Hoje, são três máquinas, no valor de US$ 1 milhão (quase R$ 1,8 milhão, em valores atuais) cada.

Nos testes, que duram em média cinco dias, são utilizados manequins preenchidos com um líquido que simula o plasma humano. Para medir o nível de SAR que cabeça e tronco humanos retêm, é colocada no líquido uma agulha presente no “braço” do robô. As medições, feitas nos dois lados do corpo, seguem as regulamentações da Anatel, baseadas em regras internacionais de segurança.

Segundo a Agência, os níveis máximos aceitos para a SAR são de dois watts por quilo para cabeça e tronco e quatro watts por quilo nos membros; no corpo inteiro, a média é de 0,08 watts/kg. Caso as radiações ultrapassem o limite estabelecido, crescem os riscos à saúde do usuário, o que leva à reprovação dos aparelhos. “Nos resultados das avaliações é preciso que os níveis emitidos estejam abaixo do regulamentado para que os aparelhos sejam aceitos”, afirma Agostinho Linhares, especialista em regulamentação da Anatel.

Um longo processo

A aprovação dos celulares para sua comercialização tem início com os testes feitos em laboratórios. Após isso, organismos de certificação designados (OCD) analisam os documentos. Só depois a Anatel regulamenta o aparelho. Atualmente existem no País 20 laboratórios credenciados pelo Inmetro. “No Brasil, o teste completo é feito somente no Certlab e no Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). Os outros laboratórios fazem análises parciais”, diz Cesar Crisante, presidente do laboratório.

Além da taxa de absorção específica, também são verificados a segurança dos aparelhos, se não causam interferência em outros equipamentos e se eles têm capacidade de comunicação, por meio de análises de radiofrequência. O aumento dos dispositivos nos celulares, como bluetooth, televisores, rádio e outros recursos, faz com que os testes fiquem mais específicos para garantir a proteção do usuário.

Com as novas aquisições, o laboratório campinense já atende a todos os fabricantes de celulares comercializados no País - entre os principais clientes estão LG, Motorola e Nokia. O custo do teste depende das características dos aparelhos e podem ser de R$ 10 mil a R$ 90 mil. “Como o teste é obrigatório, há muita demanda. Nós expandimos com a certeza de mercado”, diz Crisante.

Presença dos celulares no Brasil

Segundo pesquisas da Interactive Advertising Bureau (IAB Brasil), existem hoje 176,8 milhões de celulares no país - do total, 82,5% são pré-pagos. Esse volume representa uma densidade, em média, de 91,7 celulares por habitante. O estudo também revelou que o número de mensagens trocadas entre os aparelhos de celular em 2010 deve chegar a 2,3 trilhões.

Postado por: Thatiane de Souza

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