MENU

Lamy defende conclusão da Rodada Doha como remédio contra crise financeira

Lamy defende conclusão da Rodada Doha como remédio contra crise financeira

Atualizado: Quarta-feira, 4 Fevereiro de 2009 as 12

Apesar do novo governo dos Estados Unidos estar focado em assuntos domésticos, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, mantém o otimismo quanto à retomada da Rodada Doha. Lamy acredita que um novo impulso às negociações possa ser dado em abril, durante reunião de chefes de Estado e de Governo do G20 financeiro.

"Com a continuidade deste comptrometimento em nível ministerial, garantiremos que a Rodada se mantenha entre as prioridades dos líderes mundiais nas próximas semanas. Também esperamos que os líderes do G20 dêem ainda maior ímpeto ao nosso trabalho quando se encontrarem em Londres, em abril", disse Lamy nesta terça-feira durante reunião do Conselho-Geral da OMC, em Genebra Genebra

No dia 2 de abril, os chefes de Estado e de governo das principais economias desenvolvidas e em desenvolvimento se encontrarão pela segunda vez para discutir alternativas para a crise financeira internacional. Na reunião anterior, em Washington, em novembro passado, os líderes indicaram o estímulo ao comércio como caminho para impulsionar a atividade produtiva e recolocar a economia mundial nos trilhos.

A mensagem foi reiterada Lamy na última terça-feira, dia 3 de fevereiro. "Hoje está claro que o comércio se tranfsormou em uma das vítimas da crise econômica. Já testemunhamos uma queda aguda no comércio mundial. Nosso maior desafio hoje, portanto, é garantir que o comércio seja parte da solução e não agrave ainda mais uma crise que já é séria e corre o risco de se prolongar e se aprofundar", disse o diretor-geral da OMC, mencionando as previsões negativas de crescimento da economia mundial para 2009.

O temor geral, já manifestado inclusive pelo governo brasileiro, é de recrudescimento do protecionismo - e consequente redução do comércio internacional - como resposta imediata à crise financeira. Alerta nesse sentido foi feito por diversos líderes no Fórum Econômico Mundial, encerrado no último domingo, dia 1º de fevereiro, em Davos, na Suíça. O tema também foi tratado por Lamy, chanceleres e ministros de Comércio em jantar na última sexta-feira (30), na Suíça, paralelamente ao Fórum Econômico. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, participou do jantar.

A conclusão do encontro foi que a retomada das negociações depende de vontade política e demanda o engajamento não apenas de governos mas também da comunidade empresarial, do meio acadêmico, de organizações não-governamentais e de trabalhadores e consumidores.

Em uma clara mensagem ao novo governo norte-americano, os ministros envolvidos nas negociações alertaram que o que está sobre a mesa hoje, na Rodada, é resultado de sete anos de intensas articulações e deve ser respeitado. Na avaliação dos negociadores, quaisquer tentativas de novas concessões demandariam novas barganhas, representando um retrocesso de sete anos. "Uma avaliação serena e objetiva do pacote que temos hoje mostrará, inevitavelmente, que há ganhos significantes para cada país, ainda que estes ganhos sejam menores que nossas expectativas iniciais", afirmaram os ministros.

Hoje Pascal Lamy também mandou um recado para os Estados Unidos e para outros países que, em meio a processos eleitorais, endureceram posição na Rodada - é o caso da Índia, por exemplo. "Muitos membros [da OMC] passaram recentemente por mudanças políticas e outros terão eleições em breve. Isso não pode ser motivo para atrasarmos nossos trabalhos", disse o diretor-geral da OMC.

veja também