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Manifestação marca início da greve de funcionários da Infraero em SP

Manifestação marca início da greve de funcionários da Infraero em SP

Atualizado: Quinta-feira, 20 Outubro de 2011 as 8:50

Uma manifestação em frente ao setor de desembarque marcou o início da greve de 48 horas dos funcionários da Infraero no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo. A paralisação teve início à 0h desta quinta-feira (20). Até as 2h30, não havia transtornos aparentes para quem embarcava ou desembarcava no aeroporto.

A paralisação começou simultaneamente nos aeroportos de Viracopos, em Campinas, no interior de São Paulo, e em Brasília, informou o Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina).

De acordo com Francisco Lemos, presidente do Sina, entre 1.400 e 1.500 dos cerca de 2.000 funcionários das áreas de operações, segurança aeroportuária, terminais de cargas e passageiros e programação de voos de Cumbica aderiram à greve, e serão mantidas apenas 30% da atividades essenciais do aeroporto. Nenhum funcionário da área de navegação aérea deverá parar, garante o presidente do sindicato.

Greve é protesto contra planos de privatização dos aeroportos de Cumbica, Viracopos e Brasília. (Foto: Luigi Parrini / G1) Na soma dos três aeroportos, afirma o dirigente, cerca de 3.000 entre 5.000 funcionários das mesmas áreas se juntaram à paralisação. O número de empregados, porém, não bate com os fornecidos pela Infraero , que afirma ter 2.781 funcionários em Cumbica, Viracopos e Brasília. “Não é uma luta corporativa, é uma luta de denúncia, e o passageiro vai entender”, diz Lemos sobre os transtornos previstos para os próximos dois dias.

Por volta da 0h40, Lemos e outros dirigentes sindicais de setores que apoiaram a greve, como a Federação Única dos Petroleiros, discursaram em frente ao setor de desembarque para poucos funcionários e apoiadores, marcando o início do movimento.

Membros do Movimento dos Sem-Terra (MST), que apoia a greve por meio de uma campanha chamada “Aeroporto Popular”, acamparam no saguão do aeroporto após a manifestação, em torno de 2h desta quinta-feira, com colchões e bandeiras da organização.

Integrantes do MST acamparam no saguão de Cumbica em apoio à greve de funcionários da Infraero. (Foto: Luigi Parrini / G1) Greve contra privatizações

Em protesto contra os planos do governo de privatizar três dos maiores aeroportos brasileiros, funcionários da Infraero entraram em greve nesta quinta-feira em Viracopos e Guarulhos, ambos em São Paulo, e Brasília.

O Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina) antecipou, nesta quarta (19), que a categoria iniciaria uma paralisação de 48 horas nos três aeroportos , em protesto contra o modelo de concessão do setor.

Mais cedo, o presidente do sindicato, Francisco Lemos, e representantes da Secretaria-Geral da Presidência da República estiveram reunidos para tentar evitar a paralisação, mas, segundo a entidade, nenhuma proposta foi apresentada pelo governo.

Os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Brasília devem ser concedidos à iniciativa privada. Os três aeroportos serão leiloados pelo governo para agilizar obras de ampliação e melhoria visando à Copa de 2014 e para atender ao crescimento da demanda interna por voos.

Em nota, a Secretaria-Geral da Presidência não se manifestou sobre a greve e disse que o governo atendeu parte das reivindicações dos aeroportuários, como a manutenção da gestão estatal da navegação aérea.

No texto, o governo diz que, na reunião, "reafirmou sua disposição" em manter diálogo com os trabalhadores e reiterou "o compromisso de que eles não terão nenhum impacto negativo em consequência do processo de concessão" e que estão asseguradas aos trabalhadores "suas condições de trabalho e de organização."

Operações não devem ser comprometidas

Segundo o diretor de administração da Infraero, José Eirado, a greve dos funcionários da estatal não deve comprometer a operação dos três aeroportos.   De acordo com Eirado, porém, dependendo da adesão dos funcionários à greve, é possível que haja transtornos para os passageiros, como atraso na partida de voos. “Tenho conversado com os gerentes desses aeroportos e eles estão confiantes de que vão operar normalmente [durante a greve]”, disse Eirado. “Mas pode haver algum tipo de transtorno para os usuários”, completou.

O diretor apontou que problemas podem acontecer, por exemplo, em uma situação de fechamento de aeroporto por motivos climáticos, em que os voos fossem direcionados para um desses aeroportos. Nesse caso, há possibilidade de um “efeito cascata”, que levaria a transtornos como atraso nos voos.

A Infraero tem 2.781 funcionários nos três aeroportos, que realizam tarefas como posicionamento de finger (estrutura que liga o terminal de passageiros aos aviões e é usado para embarque e desembarque), auxílio no posicionamento das aeronaves nos pátios e operação dos sistemas de informação aos passageiros (painéis e sistema de som). A previsão, segundo Eirado, é que 20% deles participem da greve.

Nos aeroportos de Guarulhos e Viracopos, funcionários da Infraero também são responsáveis por operar a torre de controle (em Brasília isso é feito pela Aeronáutica). Atividades como manuseio de bagagem e check-in de passageiros, são feitas por empresas terceirizadas e pelas próprias empresas aéreas.

Empresas e passageiros

Em nota, a Secretaria de Aviação Civil (SAC) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informaram que solicitaram às empresas aéreas, à Infraero e ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) planos de contingência para que sejam evitados transtornos aos passageiros.

"Foram solicitadas às empresas aéreas que divulguem eventuais repercussões em suas atividades operacionais, pelos meios disponíveis, canais institucionais e informação direta aos passageiros nos aeroportos, bem como que seja provida a respectiva assistência de que trata a Resolução n° 141 da Anac", diz o comunicado.

A orientação para os passageiros com voos previstos para esses dias é para que entrem em contato com a empresa aerea para confirmar os horários de seus voos.

Companhias aéreas

Procurada, a TAM informou que os passageiros que tiverem problemas devem consultar os canais de atendimento ao cliente, como o telefone 0800-123200. A Azul informou que pretende operar normalmente, "alinhada ao plano de contingência da Infraero", e que dúvidas poderão ser esclarecidas pelo telefone (11) 4003-1118.

A Air France-KLM, que opera 21 voos em Guarulhos, afirmou que seguirá mantendo os serviços essenciais e "minimizando os potenciais impactos que isso possa ter". A Gol informou ter montado um plano de contingência, que prevê possíveis ajustes na malha de voos, com mudanças de horários e itinerários, e orienta os passageiros a entrar em contato com a empresa pelo telefone 0800-704-0465 para saber o status de seus voos antes de se dirigirem aos terminais.          

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