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Mantega anuncia IOF de 3% no crédito para pessoa física

Mantega anuncia IOF de 3% no crédito para pessoa física

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 8:29

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou nesta quinta-feira (7) que as operações de crédito para pessoa física terão o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) elevado da atual taxa de 1,5% para 3% ao ano. A medida entra em vigor nesta sexta-feira.

“Todas as operações de crédito, todas as compras a prazo serão impactados por esse aumento de 1,5 (ponto percentual)”, afirmou o ministro. A elevação do IOF atinge, entre outras formas de crédito, o crédito direto ao consumidor (CDC), o crédito consignado, os financiamentos de automóveis e rotativo do cartão de crédito e todas as compras a prazo.

A princípio, o ministro informara que o IOF seria de 1,5% ao mês. Em seguida, ele corrigiu a informação e afirmou que a elevação seria de 1,5 ponto percentual, levando a taxa para 3%. Mais tarde, o Ministério da Fazenda corrigiu a informação e afirmou que a taxa é anual, e não mensal. No começo da noite, o Ministério também informou que, diferentemente do que havia dito o ministro Mantega, os financiamentos imobiliários não serão afetados por esta medida.

O objetivo da alta do IOF, segundo Mantega, é “moderar o consumo” e conter a alta da inflação, que chegou a 6,3% no acumulado em 12 meses até março e já ameaça ultrapassar a meta do governo. "Essa medida vai nos ajudar a levar a inflação para um patamar mais adequado", afirmou.

O ministro negou, no entanto, que a inflação esteja fora de controle: “a inflação não está fora de controle. Esperamos que este ano ela feche acima do centro da meta (de 4,5%), mas abaixo do resultado do ano passado”. Segundo ele, a estimativa do Banco Central para este ano é de uma inflação de 5,6%.

A expectativa do ministro é que, nos próximos dois meses, a inflação já esteja se aproximando de um patamar mais adequado. "Se for necessário, novas medidas serão tomadas", disse Mantega sem, no entanto, adiantar quais seriam essas medidas.

Ele reforçou apenas que o Ministério da Fazenda está "sintonizado" com o BC e que ambos trabalham juntos para controlar a inflação. "O Banco Central tem um arsenal de medidas."

Mantega destacou que não é só o Brasil que está sofrendo com a alta da inflação e criticou a política monetária de outros países. O cenário externo, segundo ele, é de uma inflação mundial pressionada pela alta do petróleo e pela alta das commodities, e “vários países têm uma política monetária expansionista. Tem gente emitindo moeda num ritmo exagerado”.

Segundo o ministro, quem mais sofre os impactos dessa alta da inflação "são os países emergentes". Além do cenário externo, ele reforçou que o regime de chuvas prolongado puxou a alta dos preços de alimentos, fazendo com que, em março, o IPCA fosse um pouco mais elevado.

Câmbio

Questionado sobre a desvalorização do dólar, que nesta quinta-feira fechou abaixo de R$ 1,60 pela primeira vez desde agosto de 2008, Mantega afirmou que as medidas tomadas pelo governo têm surtido efeito.

"Se não fossem as medidas tomadas até agora o câmbio estaria em R$ 1,45", disse ele. "Não é uma briga fácil. Nós temos que moderar o apetite pelo Brasil e impedir o endividamento das empresas brasileiras", afirmou.

Mantega indicou que novas medidas podem ser tomadas para conter a valorização do real frente ao dólar. "Não existe limite para as medidas que o governo pode tomar", disse o ministro.

Gasolina

Ao ser perguntado sobre a perspectiva de aumento do preço da gasolina, Mantega afirmou que "não há necessidade de mudar o preço da gasolina imediatamente".

Segundo ele, o preço da gasolina não está diretamente atrelado ao valor do petróleo no cenário internacional. "Temos um preço mais estável. (...) Para a economia não é salutar que haja sobressalto."

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