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Mantega não vê pressão inflacionária na economia

Mantega não vê pressão inflacionária na economia

Atualizado: Quinta-feira, 21 Outubro de 2010 as 1:36

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta quinta-feira (21) que a economia brasileira não está muito aquecida, apesar de o desemprego ter atingido a mínima histórica de 6,2% em setembro.

"A economia começou muito aquecida no início do ano, mas se desaqueceu. Ela está rodando em um nível bastante satisfatório, tanto que a utilização da capacidade instalada [nível de uso do parque industrial] diminuiu e os estoques aumentaram. Então, não há pressão inflacionária do ponto de vista da demanda", disse ele a jornalistas.

Questionado se o BC poderia, portanto, ter baixado os juros na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) realizada nesta quarta-feira (20), quanto a taxa básica da economia foi mantida estável em 10,75% ao ano , configurando os juros reais mais altos do planeta, o ministro foi evasivo. "Aí voce pergunta para o pessoal do BC", se limitou a dizer.

Conversa com o secretário do Tesouro dos EUA

Em ligação telefônica com o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, ocorrida nesta quarta-feira (20), Mantega afirmou que o representante dos EUA lhe informou que não pretende desvalorizar o dólar para buscar um aumento das exportações norte-americanas.

"Ele [Geithner] me garantiu que a política dos EUA não é desvalorizar o dólar. Pelo contrário, é fortalecer o dólar. E eu perguntei, mas e a política do Fed [o BC norte-americano, de colocar mais dólares no mercado para estimular a economia]? Ele disse que a política do Fed está sendo superestimada no seu impacto", afirmou o ministro da Fazenda brasileiro.

Segundo Mantega, a posição dos Estados Unidos, de manter o dólar forte, pode contribuir para facilitar as negociações sobre os desequilíbrios cambiais na reunião de cúpula do G-20, marcada para o início de novembro na Coreia do Sul. O tema ainda não está na pauta do encontro, mas, segundo Mantega, o Brasil e os EUA vão pedir a sua inclusão. Ele voltou a defender uma solução negociada para o problema da chamada "guerra cambial".

"Eu falei [para o Geithner] que, se ele levar essa posição, dando declarações claras de que o dólar não vai ser desvalorizado, e que ele poderá até ser valorizado, e que os Estados Unidos trabalham com o dólar forte, temos mais condições de abrir uma negociação sobre a questão cambial. Porque aí não fica só pressão em cima dos chineses. Chegamos à conclusão que já há condições de maturidade [para um acordo], de modo que essa questão seja tratada no âmbito do conjunto dos países, e não isoladamente. Acho que isso vai avançar", declarou o ministro.

Mantega também negou que o governo brasileiro esteja considerando tomar novas medidas para tentar conter a queda do dólar no mercado doméstico. Nas últimas semanas, o governo elevou o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) cobrado de investidores estrangeiros para aplicações em renda fixa de 2% para 6%, assim como a alíquota do tributo para a margem das operações no mercado futuro de 0,38% para 6%.    

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