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Mark Zuckerberg, o homem de 1 bilhão de ações

Mark Zuckerberg, o homem de 1 bilhão de ações

Atualizado: Quinta-feira, 2 Fevereiro de 2012 as 1:16

Numa das ações talvez mais esperadas pelo mercado financeiro dos Estados Unidos, o Facebook finalmente arquivou seu pedido na CVM norte-americana, a SEC, para se transformar em companhia aberta numa oferta inicial de US$ 5 bilhões. Após muitas especulações sobre quem detém o quê na empresa, finalmente alguns números vieram à luz no documento S-1, enviado ao regulador e que está no site da SEC hoje.

O blog All Things Digital, do Wall Street Journal, diz que o capital é composto de dois tipos de ações, classe A e classe B, com diferentes poderes de voto. Não sem surpresa, o co-fundador e presidente Mark Zuckerberg detém mais ações que qualquer outra pessoa. Seu 1,1 bilhão de papéis classe B, os de maior poder de voto, dão a ele uma fatia de quase 57% dessa classe - sendo que quase metade disso é dele e a outra metade é detida por outros, mas sobre os quais ele possui uma autoridade superior de voto.

O empreendedor de 27 anos também possui 42,2 milhões de ações classe A, que representam 36,1% desse tipo de ação. O documento arquivado pelo Facebook diz que ele vai vender algumas ações na oferta, embora não especifique quantas.No total, Zuckerberg possui 28,4% do Facebook.

Peter Thiel, o fundador do PayPal que vendeu a empresa para o eBay, possui uma fatia de 2,5%, que diminuiu com o tempo na comparação com os 10% que possuía como o primeiro investidor-anjo do Facebook. Nada mal para um investimento de US$ 500 mil que ele fez em 2004.
Jim Breyer, da Accel Partners, controla mais de 201 milhões de ações classe B, perfazendo um pouco mais de 11% do capital do Facebook. Breyer é também um investidor pessoal: 11,7 milhões de ações são dele, e cerca de 190 milhões da Accel.

A Digital Sky Technologies, companhia de investimento russa, possui 5,4% das ações classe B, ou 94,6 milhões de ações.A empresa também vinha comprando ações do Facebook de acionistas já existentes. Tem ainda 36,7 milhões de ações classe A, ou 31,4% desse tipo de papel.

O Goldman Sachs tem uma fatia de 66 milhões de ações A, ou 56,3% desse grupo de papéis. Há também uma lista de investidores individuais, com fatias menores, como o pai de Zuckerberg, Edward, com 2 milhões de ações B, detidas por uma empresa que ele controla.

Outros nomes não aparecem no relatório S-1. Um deles é o de Eduardo Saverin, o co-fundador brasileiro que também possui uma fatia (não divulgada).

Risco aos investidores

O desenho societário do Facebook acendeu a luz amarela entre os investidores. Segundo reportgem da Bloomberg Businessweek, a fatia de 57% de voto deixa muito poder nas mãos de apenas uma pessoa e pode desestimular a participação na oferta, dizem especialistas. Além de deter a fatia, Zuckerberg tem o poder de designar um sucessor se ele ainda controlar o Facebook quando estiver para morrer.

O co-fundador do Facebook, dizem os especialistas, sobrepôs a autoridade à estratégia – mesmo depois de ter adicionado à direção veteranos como os capitalistas Marc Andreessen e o CEO do Washington Post, Donald Graham. O controle de Zuckerberg significa que diretores e acionistas terão menos poder sobre o destino da empresa, disse o professor Charles Elson, da Universidade de Delaware. “O público não tem voz no controle do conselho, o que, na minha visão, é terrivelmente prejudicial a qualquer noção de contabilidade.”, disse. “É preocupante para os investidores e uma má aposta para eles.”

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