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Meirelles comanda sua última reunião do Copom nesta quarta

Meirelles comanda sua última reunião do Copom nesta quarta

Atualizado: Quarta-feira, 8 Dezembro de 2010 as 10:25

Quando deixar a sala do Comitê de Política Monetária (Copom), situada no 8º andar do edifício-sede do Banco Central em Brasíllia, Henrique Meirelles, presidente da autoridade monetária mais longevo no cargo, terá encerrado um ciclo em sua vida pessoal nesta quarta-feira (8).

O Copom, colegiado formado por diretores e pelo presidente da instituição, responsável por fixar os juros para controlar a inflação, tem reunião agendada para hoje de tarde e será comandado por Meirelles pela 76ª e última vez. Esse também será o último Copom do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Meirelles está deixando o comando do BC no fim de 2010, após oito anos no cargo. A próxima reunião do Copom está marcada somente para janeiro, sob a tutela de Alexandre Tombini - escolhido pela presidente eleita Dilma Rousseff para dirigir a autoridade monetária em seu governo.

Mercado espera manutenção

A expectativa do mercado é de que a taxa de juros seja mantida em 10,75% ao ano nesta quarta-feira. Essa visão foi fortalecida após o próprio BC anunciar, na última semana, a elevação dos compulsórios e a consequente retirada de R$ 61 bilhões da economia. A medida contribui para pressionar para cima os juros bancários e conter o crescimento do crédito - um dos pilares do consumo e da inflação. Com isso, evitaria a necessidade de um ajuste mais rápido nos juros básicos da economia, definidos pelo Copom. A decisão do BC sobre os juros será anunciada após as 18h.

Primeiro mandato de Lula

Quando Meirelles assumiu o BC, os juros básicos estavam em 25% ao ano e, para conter o aumento da inflação e a falta de confiança dos investidores, elevou-os para 26,5% ao ano. No início de 2004, porém, a taxa já havia recuado para 16,5% ao ano, terminando o primeiro mandato do presidente Lula, em 2006, em 13,25% ao ano.

Nos quatro primeiros anos do governo Lula, o principal articulador da política de juros foi o ex-diretor de Política Econômica, Afonso Bevilaqua. Tanto Meirelles quanto Bevilaqua foram alvos recorrentes do chamado "fogo amigo", que são as críticas de dentro do governo, pela demora em baixar os juros. Ambos eram considerados excessivamente conservadores na fixação da taxa Selic.

Últimos quatro anos

Mais recentemente, durante as turbulências externas do fim de 2008 e decorrer de 2009, o BC baixou a taxa básica ao menor nível da história (8,75% ao ano). Em abril deste ano, porém, a autoridade monetária voltou a elevar os juros, fixando-os em 9,5% ao ano, posteriormente avançando para o atual patamar de 10,75% ao ano.

Se antes Meirelles era tido como conservador, sua atuação mais recente lhe rendeu avaliação oposta. A subida de juros em abril de 2010 aconteceu em meio a fortes críticas de economistas de que a autoridade monetária teria sido leniente na busca da meta central de inflação em um ano eleitoral. A reclamação é de que Meirelles teria demorado a subir os juros. Mário Mesquita, principal referência teórica da política monetária do segundo mandato de Lula, deixou o BC no fim de março, em meio à confusão.

O presidente do BC, por sua vez, disse que a instituição não precisava provar nada a ninguém. "Estamos administrando o sucesso, uma situação não usual. Buscam-se motivações negativas de um lado ou outro, de 'movitação politica, ou para recuperar credibilidade'. Quando, na realidade, a credibilidade do BC é reconhecida internacionalmente", afirmou na ocasião.

A expectativa do mercado é de que o IPCA fique em 5,78% neste ano, bem acima da meta central de 4,5%, mas dentro do intervalo de tolerância existente de dois pontos percentuais para cima ou para baixo (até 6,5%).

Por: Alexandro Martello

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