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Meirelles diz que tem armas para enfrentar a crise que outros países não têm

Meirelles diz que tem armas para enfrentar a crise que outros países não têm

Atualizado: Segunda-feira, 1 Dezembro de 2008 as 12

Meirelles diz que tem armas para enfrentar a crise que outros países não têm

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, apresentou um quadro extremamente otimista para o Brasil enfrentar a crise financeira internacional, ao falar no dia 26 de novembro à noite na abertura do 14° Encontro Nacional de Jovens Empreendedores, no Centro de Convenções de Goiânia, afirmando que as armas que o Brasil tem para enfrentar essa crise "numa posição de maior serenidade e segurança do que no passado ou de que muitos outros países", são reservas internacionais elevadas, mercado de trabalho forte, emprego e massa salarial crescendo, entre outros fatores.

Meirelles reafirmou aos jornalistas, após a palestra, os dados que apresentou sobre a crise mundial e a situação favorável ao Brasil nesse contexto, com uma série de gráficos que comprovavam cada afirmativa, num verdadeiro estudo sobre a situação da economia global. Outros fatores favoráveis ao Brasil, apontados por ele, são "uma dívida pública que está cadente em relação ao produto, é um país que é credor líquido em dólares e não devedor como muitos e como já fomos no passado".

O presidente do Banco Central ainda acrescenta outros motivos para essa visão otimista de Brasil: "é um país que tem algumas outras características de mercado financeiro importante, como depósitos compulsórios e liquidez dos bancos no Banco Central elevada, o que, junto com as reservas, tem permitido ao Banco Central do Brasil atuar na irrigação do mercado de liquidez, coisa que é o grande problema, hoje, da economia mundial, com leilões de dólares e de moeda estrangeira, linhas de crédito em dólares e liberação de compulsório".

Tudo isso, de acordo com Henrique Meirelles, junto com outras medidas anunciadas pelo Banco Central, "não faz com que o Brasil seja imune à crise - ninguém é imune à crise, mas faz com que o Brasil enfrente com maior força, maior segurança. A economia brasileira vai desacelerar no ano que vem, mas vai crescer mais do que a média mundial, enquanto alguns países vão decrescer. Isso é que é importante".

Meirelles também comentou sobre a questão do emprego no Brasil. Segundo ele, o emprego é fundamental, por ser a geração de emprego a finalidade última da política econômica e o aumento do padrão de vida da população. Por isso - acrescentou - "estamos monitorando isso cuidadosamente, fazendo o diagnóstico e dando o tratamento ao problema".

E qual o problema, ele indagou e respondeu em seguida: o Brasil está sendo afetado pela crise internacional através do canal de crédito, isto é, diminuição de liquidez e do crédito disponível, o que faz com que as pessoas comprem menos e as empresas produzam menos. "Então, o governo está atuando aí, através das medidas do Banco Central e de uma ação mais forte dos bancos oficiais, de maneira que isso possa manter a economia funcionando e preservar o emprego", acrescentou.

Indagado como avalia o enfrentamento da crise, sabendo que em 2010 vem eleição (presidencial) e ele é visto em Goiás como possível candidato. Meirelles respondeu: "O importante na administração econômica é que ela não pode obedecer a preocupações eleitorais. "O importante é que a economia seja bem administrada, que o país cresça, e isso é a finalidade última de qualquer política econômica bem sucedida, sólida, como o Brasil hoje é considerado. Tanto que o Brasil é um dos poucos emergentes selecionados pelo Banco Central americano (Fed) para fazer um contrato de troca de moedas. "Eles fizeram isso com países que foram considerados por avaliadores isentos como um país bem administrado, que é o caso do Brasil". Portanto, é importante que o Brasil continue na direção correta".

Meirelles foi questionado também se há alguma medida prevista para reduzir os juros e ampliar o crédito. Ele respondeu que o Banco Central já está tomando medidas com esse objetivo, como liberação de compulsórios para bancos pequenos e médios e anunciou ontem (25) a liberação de compulsórios para beneficiar diretamente o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que vai entrar com uma taxa competitiva para o financiamento de empresas, juntamente com outras fontes de recursos do próprio BNDES.

"Além do mais" - disse Meirelles - "os bancos oficiais estão liderando um processo também de concessão de crédito a taxas menos elevadas".  Outra pergunta voltou a colocar a eleição de 2010  para Meirelles: como ele vê a expectativa em torno do seu nome para a sucessão do presidente Lula.

"Eu acredito que isso é uma generosidade do povo de Goiás, mas eu, hoje, tenho como foco, a economia brasileira e meu trabalho no Banco Central", respondeu

Meirelles admitiu que o presidente Lula está preocupado com a crise, mas disse que "todos nós estamos preocupados com isso. Por isso, estamos trabalhando duramente para preservar o ritmo de atividade econômica em padrões aceitáveis: "Em se cumprindo as previsões de uma desaceleração de crescimento, mas ainda um crescimento bem acima dos padrões  mundiais, esperamos que, mesmo com uma diminuição da taxa de crescimento do emprego, se mantenha o crescimento do emprego e, portanto, não haja um aumento do desemprego", disse.

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