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Menos da metade das famílias brasileiras têm dívidas, mostra Ipea

Menos da metade das famílias brasileiras têm dívidas, mostra Ipea

Atualizado: Quarta-feira, 2 Fevereiro de 2011 as 10:08

Há menos famílias brasileiras endividadas hoje do que seis meses atrás, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (1º) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). De acordo com o Índice de Expectativas das Famílias (IEF), a proporção de famílias que afirmaram estar endividadas caiu de 54,5%, em agosto de 2010, para 49,4% em janeiro de 2011.

"Proporcionalmente, isso quer dizer que 7,4 milhões de pessoas deixaram de ter dívidas neste período", observou o presidente do instituto, Márcio Pochmann. "Ou seja, caiu de 79 milhões para 71,6 milhões o número de endividados. Enquanto que, agora, 73,4 milhões não têm qualquer dívida", complementou.

Segundo Pochmann, o recuo no endividamento foi o principal aspecto positivo da pesquisa realizada em janeiro. O índice de 67,2 pontos atingido pelo IEF em janeiro foi o maior desde que o levantamento começou a ser elaborado, o que indica, segundo a pesquisa, que os brasileiros continuam otimistas em relação à situação socioeconômica do país.

"Enquanto outras pesquisas indicam o crescimento do endividamento do brasileiro, a nossa captou uma redução", afirmou Pochmann. Ele acredita que a população, aos poucos, está lidando melhor com a grande oferta de crédito dos últimos anos. "Percebe-se que as famílias vêm aprendendo a usar o crédito de forma mais adequada", observou.

O ponto negativo da pesquisa, segundo o presidente do Ipea, foi com relação à expectativa de melhoria profissional. Para 54,5% dos entrevistados, dos 3.810 domicílios pesquisados em 214 municípios brasileiros, não há perspectivas de ascensão profissional nos próximos anos.

Otimismo é maior em relação à própria família do que ao país

O IEF de janeiro constatou que 64% dos entrevistados acreditam que a situação econômica do Brasil vai estar melhor nos próximos 12 meses. Entretanto, os brasileiros se mostraram ainda mais otimistas ao falar de si mesmos: 83,7% dos entrevistados afirmaram que a família vai ter uma situação financeira melhor daqui a um ano.

"Uma hipótese que explica essa situação seria o crescimento do número de famílias dependentes dos programas de transferências de renda, e também daquelas que estão tendo acesso ao crédito", ponderou Pochmann. "A expansão do emprego formal em algumas regiões, como a Norte e a Centro-Oeste, também podem ter contribuído para essa percepção", acrescentou.

O presidente do Ipea também identificou uma desconexão entre as decisões do governo e a percepção da população. "O governo quer desacelerar a economia, restringir o crédito, e a população acha que o ano vai ser melhor. Entretanto, a percepção da população em relação à diminuição do crédito pode levar alguns meses para aparecer", concluiu.

Por: Bernardo Tabak

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