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Mercado volta a prever inflação acima do teto de 6,5% para este ano

Mercado volta a prever inflação acima do teto de 6,5% para este ano

Atualizado: Segunda-feira, 19 Dezembro de 2011 as 10:10

Os economistas do mercado financeiro subiram, na semana passada, a sua estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano, que voltou a ficar acima do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação, segundo o relatório de mercado, também conhecido como Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central.

O documento, que é uma pesquisa com instituições do mercado financeiro, revela que os economistas dos bancos subiram de 6,50% para 6,52% sua previsão para o IPCA de 2011. O BC já informou que, em sua avaliação, a possibilidade de o IPCA superar o teto do sistema de metas é de 45%. A expectativa do mercado financeiro para o IPCA deste ano já havia ficado acima do teto de 6,5% do sistema de metas de inflação anteriormente neste ano. A previsão dos economistas dos bancos ficou acima do teto entre 23 de setembro e 19 de outubro de 2011. Entretanto, depois disso, recuou e ficou um pouco abaixo dos 6,5% até a última semana - quando voltou a superar o teto do sistema de metas.

A inflação subiu no começo deste ano por conta do aumento dos preços das "commodities" (produtos básicos com cotação internacional, como minério de ferro e alimentos). Para 2012, porém, os analistas do mercado baixaram, na última semana, de 5,42% para 5,39% a sua estimativa para a inflação medida pelo IPCA.

Metas de inflação

Pelo sistema de metas de inflação, que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas. Neste momento, a autoridade monetária já está nivelando a taxa de juros para atingir a meta do próximo ano.

Para 2011 e 2012, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. O BC busca trazer a inflação para o centro da meta de 4,5% em 2012.

Taxa de juros

Para a taxa de juros, a previsão do mercado financeiro permaneceu estável em 9,5% ao ano para o fim de 2012. A trajetória de juros prevista pelo mercado é de que a taxa recue para 10,50% ao ano em janeiro do ano que vem, passando para 10% ao ano em março e para 9,50% ao ano em abril de 2012 - patamar no qual fechará, segundo a estimativa, o próximo ano.

Crescimento e câmbio

A estimativa dos economistas dos bancos para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2011 caiu de 2,97% para 2,92%. Trata-se da quarta queda consecutiva. Para 2012, a previsão do mercado de crescimento da economia brasileira permaneceu estável em 3,40%.

Os ajustes para baixo na previsão do PIB começaram a acontecer após a piora da crise financeira internacional, com a revisão para baixo da nota dos Estados Unidos pela Standard & Poors. A redução da estimativa, para abaixo de 3% em 2011, foi feita após o anúncio de que o PIB teve crescimento zero no terceiro trimestre deste ano.

Nesta edição do relatório Focus, a projeção do mercado financeiro para a taxa de câmbio no fim de 2011 permaneceu em R$ 1,80 por dólar. Para o fechamento de 2012, a previsão do mercado financeiro para a taxa de câmbio ficou inalterada em R$ 1,75 por dólar.

Balança comercial

A projeção dos economistas do mercado financeiro para o superávit da balança comercial (exportações menos importações) em 2011 subiu US$ 28,77 bilhões para US$ 29 bilhões na semana passada.

Para 2012, o BC revelou nesta segunda-feira que a previsão dos economistas para o saldo da balança comercial avançou US$ 17,45 bilhões para US$ 17,95 bilhões de superávit.

No caso dos investimentos estrangeiros diretos, a expectativa do mercado para o ingresso de 2011 subiu de US$ 60,1 bilhões para US$ 60,2 bilhões. Para 2012, a projeção de entrada de investimentos no Brasil avançou de US$ 54 bilhões para US$ 54,5 bilhões.          

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