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Mesmo com demanda maior, setor aéreo perde dois destinos em 2010

Mesmo com demanda maior, setor aéreo perde dois destinos em 2010

Atualizado: Quarta-feira, 5 Janeiro de 2011 as 10:22

Mais pessoas viajaram de avião em 2010, mas elas desembarcaram em menos cidades do que no ano passado. Em um ano em que o número de passageiros cresceu cerca de 25%, as companhias aéreas mantêm voos regulares para 128 destinos, dois a menos do que no ano passado. Os dados são da Agência Nacional de Aviação Civl (Anac), com base nas operações de dezembro. O número de destinos já chegou a cerca de 200 no fim dos anos 1990.

Nos últimos dez anos, o setor aéreo assistiu a uma concentração das atividades entre cidades grandes, principalmente entre as capitais. As empresas compraram aviões maiores, com mais assentos do que a demanda nas cidades médias, o que fez com que elas encerrassem suas operações em aeroportos regionais. Hoje, 5,7% do fluxo de passageiros viaja em empresas, voos ou aviões regionais, segundo estimativas da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Aéreo Regional (Abetar), entidade que reúne 13 associados.

Em 2010, cinco cidades começaram a receber voos regulares de transporte de passageiros - Caldas Novas (GO), Caruaru (PE), Mossoró (RN), Paulo Afonso (BA) e Varginha (MG). Mas, outras sete deixaram de ser destino das companhias aéreas no ano passado - Aripuanã (MT), Borba (AM), Guarapuava (PR), Juara (MT), Juína (MT), Manicoré (AM), Maués (AM). Elas passaram a fazer parte de um grupo de cerca de 70 municípios do interior que têm aeroportos, mas não recebem voos regulares.

Em 2011, esse cenário deve começar a mudar. Com os principais aeroportos do País saturados, as cidades do interior devem ser a nova fronteira de expansão do setor aéreo. “Esse mercado está renascendo no Brasil”, afirma o presidente da Abetar, Apostole Lazaro Chryssafidis. A estimativa dele é que o setor aéreo volte a oferecer 200 destinos no Brasil até 2014.

“É um mercado que hoje é dominado pelos ônibus. A demanda existe, mas a operação só é viável se as companhias conseguirem equacionar o seu custo por assento e oferecer preços competitivos em relação ao ônibus”, afirma o brigadeiro Allemander Pereira, especialista em aviação e ex-diretor da Anac.

Para ele, a infraestrutura precária é o maior entrave para o desenvolvimento do setor aéreo nas cidades pequenas. Muitos desses aeroportos não têm equipamentos para raio-X de bagagens ou sistema contra incêndio, por exemplo, o que inviabiliza a operação até que sejam feitos investimentos.

Setor pulverizado

Ao todo, existem 17 companhias aéreas em operação no Brasil, 12 delas são regionais. Em geral, são empresas menores, que atuam por região. A exceção é a Trip, que atende 81 destinos em todas as regiões do país. A companhia, que faturou R$ 450 milhões em 2009, deve registrar um resultado 70% maior no balanço de 2010, segundo dados da Anac. “Estamos crescendo com a classe ‘I’, formada por pessoas do interior, que agora tem melhores condições econômicas”, afirma o diretor de vendas da Trip, Evaristo Mascarenhas.

Mas, além das empresas regionais, a Trip também vai concorrer neste mercado com as grandes companhias. A Azul anunciou a compra de 40 aviões da francesa ATR para iniciar sua operação regional em 2011. Já a TAM vai comprar jatos para renovar a frota da Pantanal Linhas Aéreas, empresa regional adquirida pela companhia em dezembro de 2009. E, a Gol, negocia parcerias para venda de passagens com companhias menores - a primeira delas firmada em 2010, com a nordestina Noar, mas a empresa deve anunciar outros acordos neste ano.

A Gol informou ao iG, em nota, que não pretende comprar aviões exclusivamente para operar rotas regionais. A companhia faz alguns voos diretos para cidades do interior nos seus aviões de grande porte, da Boeing.

A TAM já tem parcerias comerciais com três empresas regionais – Trip, Passaredo e NHT. A empresa não considera a Pantanal uma companhia regional, apesar de dez dos seus 19 destinos serem para cidades do interior.

Para as regionais, a maior vantagem em firmar acordos com as companhias aéreas maiores é a possibilidade de vender suas passagens no site das parceiras. “Elas são uma máquina de vendas”, afirma o presidente da Abetar.

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