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Ministério da Economia substitui alta por baixa voltagem

Ministério da Economia substitui alta por baixa voltagem

Atualizado: Sábado, 16 Julho de 2011 as 10:18

No Ministério da Economia ainda não se começou a trabalhar a 25 graus, mas já estão a substituir a alta voltagem pela baixa em todos os organismos tutelados pelo ministro Álvaro Santos Pereira. O objectivo vai no mesmo sentido das medidas ontem anunciadas por Assunção Cristas para o Ministério do Ambiente: poupar substancialmente nos custos energéticos até ao final do ano.

Não é propriamente cool a temperatura do Ministério do Ambiente (25 graus), mas foi o que se pôde arranjar para poupar energia. Assunção Cristas deu o pontapé de saída para atingir os objectivos da troika - redução energética de 30% na administração pública até 2020 e 25% no restante consumo - e quer fazer incidir a redução em todos os organismos que tutela. Ao todo são mais de 1500 edifícios, onde trabalham 10 500 funcionários e que agora estão autorizados a não andar de gravata durante o período laboral.

O impacto na redução de custos desta iniciativa, a Air Cool, só será conhecido depois do Verão, quando chegarem as contas de electricidade relativas a estes três meses. Porém, o ministério já estimou que haverá uma redução de emissões de dióxido de carbono equivalente a um dia de tráfego rodoviário de uma cidade média, como Aveiro ou Braga. E é para repetir anualmente, entre 1 de Junho e 30 de Setembro.

  Outras das medidas apresentadas pelo mesmo ministério no âmbito da sustentabilidade energética são a utilização preferencial de meios electrónicos para as comunicações entre gabinetes e serviços, a utilização de sistemas de videoconferência e a indicação para o equipamento electrónico, como as televisões ou os computadores, passar a ser desligado, em vez de ser mantidos em stand by.

Questionado sobre o impacto destas e de outras medidas entretanto adoptadas pelo governo para o corte da despesa pública, o Ministério das Finanças respondeu que "não existem estimativas a divulgar".

Quem já reagiu à iniciativa foi Francisco Ferreira, da Quercus, que aplaudiu a medida de Assunção Cristas, lamentando, contudo, que a mesma não se estenda a todo o resto da administração pública, inclusive empresas públicas.

emblemático Além destas medidas, já houve orientações do gabinete do primeiro-ministro para outros cortes que, embora possam não ter muito impacto na despesa, servem como exemplo para a opinião pública - que, por enquanto, parece gostar do que vê, contribuindo para já para manter o estado de graça do governo liderado por Pedro Passos Coelho. Uma sondagem divulgada ontem pela imprensa sobre o novo imposto extraordinário mostra um claro apoio dos portugueses a esta medida, com mais de metade dos inquiridos a considerar que o imposto especial é uma boa ideia ou pelo menos uma ideia "assim-assim".

As viagens de curto prazo nos voos de média duração e a não utilização dos carros oficiais fora das horas de trabalho, nomeadamente ao fim-de-semana, também são medidas que já entraram em vigor. É certo que o executivo não paga as viagens que faz na TAP, mas ao abdicar da classe executiva permite à companhia vender estes bilhetes a outros clientes. Outro dos cortes foi o do próprio elenco governativo, que passou dos anteriores 16 ministros para 11, com uma redução também do número de assessores.          

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