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Ministro diz que PF tem coragem de "cortar na própria carne", ao prender delegado

Ministro diz que PF tem coragem de "cortar na própria carne", ao prender delegado

Atualizado: Quinta-feira, 18 Setembro de 2008 as 12

Ministro diz que PF tem coragem de "cortar na própria carne", ao prender delegado

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta quarta-feira, 17 de setembro, que a Polícia Federal merece todo o respeito da sociedade porque teve a coragem de "cortar na própria carne" ao investigar, pedir a prisão e prender o segundo homem de sua hierarquia, o delegado Romero Meneses, que ocupava o cargo de diretor-executivo da corporação.

"A Polícia Federal tem a coragem de atacar os seus próprios erros - se é que o delegado Romero cometeu ilegalidades - e aplicar duramente a ordem judicial e fazendo um inquérito muito profundo como será esse. É evidente que as pessoas ficam perplexas e dizem o seguinte: como é que uma pessoa que estava na direção da Polícia Federal cometeu uma ilegalidade desse tipo? Para responder isso temos que esperar o fim do inquérito. No entanto, acho que a síntese é muito positiva porque demonstra que, para a Polícia Federal, não há ninguém acima da lei", disse o ministro.

Tarso disse que chegou a conversar com o delegado Romero Menezes na noite de ontem, logo depois que ele conseguiu um habeas corpus, concedido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), sediado em Brasília. "Disse a ele que, como todos os indiciados pela Polícia Federal, ele merecia o benefício da dúvida, mas que o inquérito iria ser exemplar, até em homenagem a sua conduta de 30 anos na Polícia Federal. Ele me respondeu dizendo que eu poderia ficar tranqüilo que, como pessoa que tem responsabilidade sobre a Polícia Federal, que ele iria comprovar sua inocência", disse o ministro.

O delegado explicou ao ministro que os atos praticados por ele na condução da Operação Toque de Midas, alvo do inquérito, decorreram da própria natureza das funções exercidas por ele, como delegado da Polícia Federal.

O delegado Romero Menezes foi preso na terça-feira, dia 16, sob a suspeita de ter vazado informações sobre a Operação Toque de Midas, que apurou possíveis fraudes no processo de licitação para a construção de uma estrada de ferro no Amapá. No processo, movido pela Procuradoria Geral da República, Menezes é acusado de advocacia administrativa (uso pelo servidor de sua condição para obter vantagens em proveito próprio ou de terceiros), corrupção passiva, formação de quadrilha e tráfico de influência.

Romero Menezes já prestou depoimento à Polícia Federal. Tarso Genro disse que não há a possibilidade de o delegado, em liberdade, interferir na condução do inquérito. "A possibilidade de interferência é zero. Ele não exerce mais nenhuma função na Polícia Federal. Eu mesmo o afastei", disse Tarso Genro, que informou ainda que o delegado poderá responder a mais de um inquérito. "Se houver suspeitas de que houve vazamento de informações será um inquérito, que não será o mesmo que vai apurar as acusações de advocacia administrativa", explicou.

A Operação Toque de Midas foi realizada em julho deste ano pela PF nos estados do Amapá, Pará e Distrito Federal. Também foram presos o irmão de Romero, José Gomes de Menezes Júnior, além de Renato Camargo dos Santos, diretor da empresa EBX, uma holding (conglomerado de empresas) controlada pelo empresário Eike Batista. A vencedora da licitação foi a empresa EBX.

O cargo de Menezes já está ocupado interinamente por Roberto Ciciliatti Troncon Filho, diretor de Combate ao Crime Organizado da PF. Troncon Filho ressaltou que, não há "prova cabal", contra Romero, mas que sua prisão foi necessária, porque ele poderia prejudicar as investigações no exercício de seu cargo. A prisão do delegado tinha caráter temporário de cinco dias.

Postado por: Claudia Moraes

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