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Ministro grego rejeita referendo sobre permanência na zona do euro

Ministro grego rejeita referendo sobre permanência na zona do euro

Atualizado: Quinta-feira, 3 Novembro de 2011 as 9:28

O ministro das Finanças grego Evangelos Venizelos se opôs nesta quinta-feira (3) ao referendo sobre a permanência ou não da Grécia na zona do euro. Venizelos disse em um comunicado que a adesão do seu país ao euro é “uma vitória histórica do povo grego, que não pode ser questionada". Chryssohoidis, por sua vez, pediu ao parlamento grego que rejeite o pedido de referendo.

Na quarta-feira (2), o presidente francês Nicolas Sarkozy anunciou que o primeiro-ministro grego, Giorgos Papandreu, disse que o referendo sobre o plano de resgate de seu país deve acontecer nos dias 4 ou 5 de dezembro, após uma reunião de emergência em Cannes, que antecede a reunião do G20.

Durante a reunião, Sarkozy e a chanceler alemã, Angela Merkel, pediram ao primeiro-ministro grego que o referendo se celebre o "quanto antes" e deram um ultimato à Grécia para que o país decida se fica ou se deixa a zona do euro. Segundo Papandreu, o referendo pode ser organizado no prazo de um mês.

Sarkozy e Merkel concedem entrevista após encontro com primeiro-ministro grego (Foto: Reuters) Sarkozy e Merkel anunciaram também que a próxima parcela de oito bilhões de euros do pacote de ajuda à Grécia não será liberada até a realização do referendo e até que se coloque um ponto final nas incertezas e concorde em cumprir seus compromissos com a zona do euro. Atenas receberia neste mês uma parcela de 8 bilhões de euros, parte do empréstimo de 110 bilhões de euros de resgate acordado por seus parceiros da UE e pelo FMI no ano passado.

"Se as regras de jogo não forem aceitas, nem a União Europeia nem o FMI vão entregar mais nenhum centavo à Grécia", afirmou Sarkozy. "Nossos amigos gregos devem decidir se querem continuar a jornada conosco", acrescentou.

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, também afirmou que a continuidade do empréstimo à Grécia está vinculada ao resultado do referendo. "Quando for realizado o referendo, e se forem tiradas todas as incertezas, farei uma recomendação ao conselho de administração do FMI sobre o sexto lote de ajuda para sustentar o programa econômico da Grécia", disse Lagarde, em um comunicado. Permanência na zona do euro

Segundo Sarkozy, caso a Grécia queira continuar na zona do euro, "precisa respeitar as regras".

A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou na mesma entrevista que a Alemanha quer estabilizar a zona do euro com a Grécia como país membro, mas que estabilizar o euro era mais importante do que ajudar a socorrer a Grécia.

Papandreu afirmou, após a reunião, que a consulta popular justamente da continuidade ou não da adesão da Grécia à zona do euro. Ele afirmou, porém, que acredita que os gregos queiram permanecer. "Somos parte da zona do euro e estamos orgulhosos de fazer parte da zona do euro", disse "Fazer parte da zona do euro significa ter muitos direitos e também obrigações. Podemos cumprir essas obrigações", acrescentou. "Acredito que há um amplo consenso entre o povo grego e é por isso que eu quero que o povo grego fale", completou.

Premiê grego voltou a defender referendo (Foto: AP) O pacote de austeridade fechado com a União Europeia prevê a redução de 50% da dívida grega. O premiê grego incomodou os parceiros europeus e assustou os mercados financeiros ao anunciar, na segunda-feira, que convocaria um referendo sobre o plano de ajuda de 130 bilhões de euros acordado com os líderes da zona do euro na semana passada.

A convocação de um referendo popular recebeu o apoio dos integrantes do governo. A previsão que o Parlamento grego vote a realização do referendo até sexta-feira. Apesar da expectativa de que o governo consiga a aprovação do voto de confiança, alguns analistas acreditam que o grande teste no Parlamento será o projeto do referendo. Segundo a Constituição grega, o governo precisa de maioria simples no Parlamento, que tem 300 cadeira, ou seja, 151 votos. O Pasok atualmente tem 152 legisladores, mas quatro já se mostraram contra o referendo.          

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