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'Não adianta ficar jogando dólar de helicóptero', diz Mantega sobre Fed

'Não adianta ficar jogando dólar de helicóptero', diz Mantega sobre Fed

Atualizado: Quinta-feira, 4 Novembro de 2010 as 1:55

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, que ganhou repercussão internacional ao cunhar a expressão "guerra cambial" (desvalorização de moedas pelos países para tornarem suas empresas mais competitivas), criticou nesta quinta-feira (4) a decisão do Federal Reserve (o BC norte-americano) de comprar mais US$ 600 bilhões em títulos públicos até a metade do próximo ano, o chamado "quantitative easing".

"Não adianta ficar jogando dólar de helicóptero na economia porque isso não fará brotar o crescimento. É preciso combinar uma política monetária expansiva [queda de juros]. Eu não sou contra aumentar o crédito e reduzir juros. Pelo contrário. Porém, tem que combinar isso com uma política fiscal [aumentar despesas do governo ou reduzir tributos para população]. Tem que estimular o consumo, o mercado, dar condições para o consumidor. O governo americano teria que tomar medidas para gerar emprego, porque está faltando emprego lá", disse Mantega a jornalistas.

Segundo avaliação do ministro da Fazenda, a decisão do Federal Reserve de colocar mais dinheiro em circulação é de "resultado duvidoso". "Já temos hoje nos Estados Unidos uma taxa de juros baixa. Já há créditos suficientes na economia americana e esse crédito não está indo para a produção. Esse excesso de crédito acaba desvalorizando a moeda americana. O único resultado que tem é desvalorizar o dólar para que os Estados Unidos tenham uma competitividade maior no comércio internacional", declarou Mantega.

Ele afirmou ainda que criticará a medida na reunião de cúpula do G-20, com a presença de chefes de Estado, marcada para 11 e 12 de novembro na Coreia do Sul. "Isso nos afeta. Tanto é verdade que hoje estamos com um déficit comercial com os Estados Unidos. Eu tenho criticado essa medida e farei novamente no G-20 agora (...) Vamos insistir para que os Estados Unidos modifiquem essa política e tenham uma outra alternativa", disse o ministro.

Formação de 'bolhas'

Mantega afirmou ainda que essa medida do Federal Reserve pode ocasionar a geração de "bolhas" em outros países, mas não no Brasil. "No Brasil não, porque tomamos medidas que impedem que venha um fluxo exagerado. O Brasil não tem perigo de bolha", afirmou.

Para tentar conter o ingresso de recursos no Brasil, e impedir a queda maior do dólar no país, fator que barateia as importações e torna as vendas externas mais caras, Mantega anunciou em outubro o aumento do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de estrangeiros em renda fixa de 2% para 6%, e, também, a elevação da alíquota do tributo para margens de operações no mercado futuro de 0,38% para 6%. No primeiro mês da medida, porém, o fluxo de dólares para o Brasil continuou em patamar elevado para padrões históricos, segundo números do BC.

Ele descartou, porém, a adoção de novas medidas pelo governo brasileiro para tentar frear o fluxo de dólares neste momento. "Não [são necessárias novas medidas] porque no Brasil, felizmente, estamos conseguindo controlar a valorização do cãmbio [queda do dólar]. Não está havendo valorização do real, pelas medidas que tomamos. Mas é um problema que pode se agravar na medida em que os Estados Unidos persistirem nessa política", concluiu.

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