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Não é pecado ter dívida pública, diz Mantega em CPI

Não é pecado ter dívida pública, diz Mantega em CPI

Atualizado: Quarta-feira, 14 Abril de 2010 as 12

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quarta-feira, dia 14, durante participação na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Dívida Pública do Congresso Nacional, que não é "pecado" um país estar endividado.

"Dívida pública todos os países do mundo têm. Não é pecado ter dívida pública. Mesmo os países avançados têm dívidas bastante elevadas, maiores até do que os emergentes. O Japão mais de 200% do PIB [em dívida]. Porém, ninguém considera o Japão um país de risco", afirmou o ministro a parlamentares.

Mantega avaliou que a percepção do mercado importa mais do que o tamanho da dívida pública, e citou o caso da Grécia, que enfrenta problemas econômicos. " A Grécia tem uma dívida pública de mais de 100% do PIB e com dificuldades para o seu pagamento. A dívida é constantemente renegociada. Há vencimentos e tem de renovar o crédito, ir ao mercado, que pode impor condições", disse ele.

Se o mercado não aceitar a "rolagem" da dívida (compra de novos papéis para que o país possa pagar aqueles que estão vencendo), o país pode ficar inadimplente e "quebrar", disse o ministro. "O mercado exige que a Grécia pague juros elevados e impõe um ajuste interno na economia grega. Vemos como a dívida pode ser um instrumento de domínio de organismos internacionais sobre um determinado país", declarou.

Sobre o Brasil, o ministro da Fazenda disse que está havendo uma melhora. Segundo ele, os juros pagos aos investidores externos têm caído nos últimos anos, tanto no mercado externo (captações do Tesouro Nacional no exterior), quando no mercado doméstico - acompanhando o recuo dos juros básicos da economia definidos pelo Banco Central.

"A situação do país é muito melhor, muito diferente. Hoje estamos no grupo não dos devedores, mas dos credores. As taxas de juros que pagamos são mais baixas e a dívida pesa muito menos. Não existe ingerência dos banqueiros internacionais na política econômica como havia no passado. A dívida não é um problema", concluiu Mantega.

Por: Alexandro Martello

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