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Os truques do Nano para ser o carro mais barato do mundo

Os truques do Nano para ser o carro mais barato do mundo

Atualizado: Sexta-feira, 4 Junho de 2010 as 2:41

Há seis anos quando o empresário indiano Ratan Tata prometeu que faria um carro que custaria cerca de 2 500 dólares em seu país, muita gente achou que ele estava blefando. Mas ele chegou lá. O Nano acaba de ser lançado oficialmente e a versão de entrada custará a partir de 2.254 dólares (ou seja menos de 5 400 reais, um valor inacreditável no Brasil).

Para entender como isso foi possível, EXAME entrou no Nano para analisá-lo e conversou com dois dos pais do projeto que fez o automóvel mais barato do mundo, o indiano Girish Wagh e o inglês Clive Hickman. "Um dos nosso segredos foi cortar dramaticamente o número de peças", diz Hickman. Um exemplo: a alavanca ao lado do volante aciona o farol e, em outro pedaço, o limpador do para-brisa. Confira outras astúcias que explicam como este modelo chega tão barato às concessionárias da Índia.

Trabalho barato  

O salário da mão-de-obra indiana é um dos mais baixos do planeta: um operário especializado ganha cerca de 550 reais por mês.

Economia no motor

Na versão indiana, o motor do Nano tem 2 cilindros, 624 centímetros cúbicos e só 35 cavalos. Calcula-se que o coração mecânico deste Tata custe barato, cerca de 700 dólares. Em compensação, bebe pouca gasolina (23,6 km/litro).

Equipamento enxuto  

O modelo básico deste carro sai de fábrica sem rádio, direção com assistência, vidros e travas elétricas. Também esqueça ar-condicionado e aquecedor, inexistentes.

Caça às peças  

Para economizar custos, os indianos foram fundo nos cortes de peças redundantes: nesse carro só há um limpador do vidro parabrisa, três parafusos (e não quatro) sustentam suas rodas e o tanque de gasolina fica sob o capô. A vantagem? Não precisa de tampa para proteger o reservatório. Com isso houve uma redução drástica no número de peças para montá-lo.

Apenas o básico  

Esqueça o conta-giros. Neste automóvel os instrumentos são básicos: velocímetro, odômetro e medidor de combustível. E o acionamento do limpador de parabrisa e dos faróis é feito pela mesma alavanca. E o estepe não é um pneu como os outros: só serve para rodar até a próxima borracharia.

De grão em grão  

Para economizar 10 dólares, os engenheiros do Nano eliminaram mecanismos para ajustar o ângulo dos faróis em função do peso do carro. Em um ano de produção normal, este detalhe significará uma economia de 3,5 milhões de dólares.

O reino do plástico

Como era de se esperar, não há luxo no interior: o painel e o revestimento das portas são de plástico, os tapetes de borracha e os bancos são duros. É menos bonito e mais desconfortável. Mas custa menos.

Meu nome é Pé-de-Boi

A transmissão com quatro marchas é contínua. Menos complexa, precisa de menos dinheiro para ser feita.O mesmo raciocínio vale para os freios, que não são a disco, mas a tambor (e sem ABS, é claro)

Objetos expostos  

Esqueça porta-luvas, porta-trecos e também protetor para escamotear a bagagem no compartimento traseiro. No Nano isso seria um luxo.

Volante duro  

Mesmo nos modelos mais luxuosos, a direção não tem assistência elétrica ou hidráulica. Em compensação o volante tem um raio curto de manobra

Operação cola  

O para-choque é feito de plástico, colado na carroceria

Processo enxuto

A pintura entra uma vez no forno, em vez das convencionais duas. É um terço de economia em comparação aos modelos convencionais

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