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Para Lula, denúncias sobre emendas devem ser vistas com 'otimismo'

Para Lula, denúncias sobre emendas devem ser vistas com 'otimismo'

Atualizado: Terça-feira, 14 Dezembro de 2010 as 10:52

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira (13), durante viagem a Missão Velha (CE), que a citação de nomes de parlamentares da base do governo em supostas irregularidades com emendas ao Orçamento da União devem ser vistas com "otimismo", porque, segundo ele, representam um "processo de depuração" das "pessoas que cometeram algo errado".

O uso de emendas que destinavam recursos a entidades fantasmas foi revelado pelo jornal "O Estado de S. Paulo". O senador Gim Argello (PTB-DF), citado por destinar cerca de R$ 4 milhões a entidades supostamente fantasmas, renunciou à relatoria do Orçamento na semana passada devido a sua ligação com o caso. O senador nega irregularidades.

Nesta segunda-feira, a nova relatora do Orçamento, Serys Slhessarenko (PT-MT), exonerou uma funcionária de seu gabinete que preside uma instituição que teria sido beneficiada por emendas. A senadora negou ter autorizado o repasse de verbas para a entidade por meio de emendas para eventos nas áreas de turismo e cultura.

"O que é importante é isso na democracia: a pessoa é indicada, aí descobre que ela cometeu um erro qualquer e ela cai fora. Entra outra, descobre [irregularidades] e cai fora. Assim a gente vai fazendo um processo de depuração. Acho que isso não deve ser uma coisa que aterrorize ninguém, deve ser uma coisa que nos deixe otimista", disse Lula, durante entrevista concedida após a cerimônia de assinatura de ordem de serviço de novos lotes da Ferrovia Transnordestina, no Ceará.

Segundo ele, "o governo não tem o poder" de indicar o relator do Orçamento. "Quem indica é o Congresso." O surgimento de denúncias faz parte de um país que tem liberdade de imprensa e poder de denúncia, afirmou. "Na medida em que você tem liberdade de imprensa, você tem fiscalização, você tem poder de denúncia, você vai trocando as pessoas até encontrar as pessoas adequadas para fazer as coisas adequadas."

Oposição

Ao falar da oposição, Lula disse que "está tão difícil" não pertencer à base do governo no Congresso que é preciso "procurar com lupa" os parlamentares da oposição. "Quase todos [os parlamentares] são da base do governo. Tá tão difícil não ser da base do governo que quase todos são. Precisa procurar com lupa quem não é da base do governo", ironizou.

Em um discurso exaltado, Lula lembrou o tratamento desigual que a região Nordeste recebeu de governos anteriores e criticou seus antecessores dizendo que a região era tratada como "escória" do país. Para o presidente, o Nordeste só aparecia na imprensa com altos índices de mortalidade infantil, analfabetismo e doenças.

"Jamais me passou pela cabeça tirar alguma coisa do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de São Paulo, do Paraná, até porque sou pernambucano, mas devo muito do que sou a São Paulo. Agora, não era justo que o Nordeste continuasse sendo tratado como se fosse a escória desse país, como se não tivesse direitos" afirmou Lula.

Em seu discurso Lula disseque fez o "necessário, o possível e o impossível" durante os quase oito anos na Presidência da República.

Lula lembrou o primeiro discurso após chegar ao Palácio do Planalto, em 2003, quando disse que já se sentiria satisfeito como presidente se todo brasileiro, ao final do seu governo, pudesse "tomar café da manhã, almoçar e jantar".

"Mas eu disse mais: disse que iria começar [o governo] a fazer apenas aquilo que era necessário. Depois, a gente iria fazer o que era possível fazer e, depois, quando menos esperasse, a gente estaria fazendo o impossível. E isso aconteceu", afirmou.

O presidente visitou trechos concluídos das obras da Ferrovia Transnordestina e assinou ordem de serviço para continuidade de outros lotes do empreendimento.

Por: Robson Bonin

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