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Para não se enrolar com juros, vale até embrulhar cartão de crédito

Para não se enrolar com juros, vale até embrulhar cartão de crédito

Atualizado: Segunda-feira, 14 Fevereiro de 2011 as 10:47

O ano passado foi marcado por uma euforia de consumo a que o brasileiro estava pouco acostumado. Depois de comprar TVs, carros e outros produtos – em alguns casos, em número recorde –, e com a esperada trajetória de aumento dos juros neste ano, o brasileiro terá de pensar duas, três e ainda mais vezes antes de fazer novos carnês ou se afundar mais no cartão de crédito. Até porque a capacidade de sua renda já está comprometida e o calote já cresceu de forma expressiva (24,8%) no mês passado.

Curiosamente, os juros parecem não figurar entre as preocupações dos brasileiros. Mas deveriam: com uma taxa de juros de mais de 10% ao mês, uma conta no cartão de crédito tem potencial para triplicar rapidamente, alerta o professor de Finanças da FEA-USP (Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade) Luiz Jurandir.

- A 10% ao mês, o que o consumidor tem não é um dívida, é quase um tumor. Nesse ritmo, a dívida pode triplicar em um ano.

Uma dívida de R$ 300 no cartão, por exemplo, pode dobrar para R$ 600 em sete meses, se o total de taxas e juros se operadora por de 10% ao mês. Em um ano, se não for paga, vai a R$ 900 neste caso.

Para não se enredar em novas compras e mais dívidas, o professor diz que o consumidor precisa entender que tem de escolher uma de duas coisas: ou prefere não ficar para trás na hora de gastar ou prefere colocar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilo.

- As pessoas acham que a consciência funciona de forma automática, que ela vai dar o alarme imediatamente. Não vai, a consciência é um processo que vai se formando. E o tempo de aprendizado de cada pessoa pode variar, algumas aprendem mais rápido que outras. Por isso, a transparência é o melhor recurso para controlar as próprias despesas.

Uma dica prática que Jurandir dá ao consumidor é a de anotar numa folha o quanto ele já gastou no cartão – e embrulhar o cartão com ela.

- O consumidor deve pegar uma folha de papel, anotar nela todas as compras que for fazendo com o cartão e embrulhá-lo com essa folha. Dessa forma, toda vez que ele quiser usar o cartão, vai ter de desembrulhá-lo, e aí vai se deparar com as despesas que já fez. Elas têm que 'gritar'  na cara dele.

Renegociar é a chave

Se a pessoa se enrolou com o cheque especial ou com o pagamento mínimo do cartão de crédito, o recomendável é tentar negociar com o banco ou a operadora do cartão. Mas se o consumidor conseguiu equacionar sua situação financeira, o melhor é manter a disciplina, recomenda o presidente da ABC (Associação Brasileira do Consumidor), Marcelo Segredo.

- A receita é simples: coloque numa folha de papel tudo o que você deve na coluna das despesas e tudo que você recebe na das receitas. Só assim para controlar o que cada um gasta.

Ele destaca que, com a fase de juros em alta em que a economia brasileira entrou no mês passado – com o aumento da Selic (a taxa básica de juros da economia brasileira, na qual todas as demais são baseadas) –, o consumidor precisa o quanto antes acertar suas dívidas.

- Primeiro, o consumidor precisa saber o quanto deve a cada credor. Depois, ele precisa ver o quanto consegue pagar por mês. Então, ele deve notificar o credor, por carta, com aviso de recebimento, sobre a disposição de renegociar a dívida. E aguardar uma resposta.

Segredo diz que isso serve para comprovar, se o caso for levado à Justiça, que o consumidor teve boa fé e se mostrou disposto a renegociar a dívida em condições que podia pagar. Segundo ele, os bancos preferirão, então, chamar o devedor para renegociar, uma vez que a decisão na Justiça pode demorar mais.

Por: Vinicius Albuquerque

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