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Para retomar vendas no Natal pós-crise, varejo aposta em "agrados" aos clientes

Para retomar vendas no Natal pós-crise, varejo aposta em "agrados" aos clientes

Atualizado: Segunda-feira, 16 Novembro de 2009 as 12

Na expectativa de aumentar as vendas no Natal e deixar para trás definitivamente o ?fantasma? dos estoques encalhados pelos efeitos da crise econômica, os comerciantes adotam estratégias para baixar o custo das mercadorias e apostam em ''agrados'' especiais aos clientes para buscar um diferencial sobre a concorrência.

''Tem que ter um pouco de criatividade, adotar margens de lucro mais reduzidas'', afirma Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), que prevê aumento entre 5% e 6% no movimento do comércio da capital paulista este ano. Para Alfieri, este restultado é bastante razoável para um Natal pós-crise. ''O Natal não vai salvar o ano, mas já sinaliza o ritmo de 2010'', diz.

Segundo levantamento da Federação do Comércio do Estado de São Paulo(Fecomercio-SP), o clima é de otimismo com reservas entre os varejistas. De acordo com a análise, 33% dos 300 empresários consultados no estado vão aumentar as encomendas para o Natal e 24% dos varejistas vão reduzir.

Outros 44% estão fazendo encomendas iguais às do ano passado, como é o caso do empresário Feliciano Macário, dono do armarinho Irakan, em São Paulo. ?Preparei os estoques para o Natal deste ano no mesmo nível de 2008. Está exigindo mais trabalho dos comerciantes, mas o movimento deve continuar o mesmo'', diz.

Fernando Assad Abdalla, um dos proprietários da loja de presentes Doural, concorda. ?Este ano estamos tendo que trabalhar bem mais para manter as vendas em um nível normal. Não fosse a questão da crise, venderíamos o dobro?, afirma o varejista, que faz vendas na loja da Rua 25 de Março, no centro de comércio popular da capital paulista, e pela internet.

?Esperamos crescimento de 20% a 30% para o Natal deste ano, mas com o esforço de trabalhar o dobro'', explica Abdalla.

Dono de uma loja de bijouterias em Sâo Paulo, o comerciante Antônio Edimilson Farias tem expectativas bem mais baixas para a data. ''Demiti quatro funcionários desde o ano passado por causa da queda no movimento. Espero, no máximo, uma semana de movimento bom neste Natal.''

Embalagens e desconto

Preocupado com a queda nas vendas em 2009, o empresário Edeval Dantas implementou soluções práticas e de baixo custo em sua loja no centro de São Paulo: passou a oferecer pacotes decorados para embrulhar os presentes, a dar descontos para quem paga em dinheiro e melhorar a organização e a aparência da loja.

''Eu não fazia isso no ano passado. Acho que, se você arruma a loja, a deixa mais bonitinha, o cliente compra mais'', afirma Dantas, que diz que espera que a movimentação melhore nas próximas semanas. ''Por enquanto, o movimento ainda está fraco.''

Na Armarinhos Fernando, uma das lojas mais movimentadas da região da 25 de Março, a expectativa também é de crescimento sem grandes inovações e dedicação a pequenos ajustes.

''Não investimos em grandes novidades, em geral os tipos de produtos que oferecemos são os mesmos do ano passado. Mas ampliamos um pouco o espaço para mostrar os itens de decoração de Natal. Ficou um espaço mais aberto para mostrarmos melhor os produtos'', explica o gerente Ondamar Antonio Ferreira, que prevê vendas entre 4% e 6% maiores que no ano passado.

A vendedora autônoma Ângela Maria da Silva Pacheco, veio de Rio das Ostras (RJ) para fazer compras em São Paulo e diz que aprendeu estratégias mais ''agressivas'' de venda com a crise. ''Fiz promoção de tudo, fiz pacotes de produtos e serviços. As pessoas estavam comprando bem menos, foram dias ruins'', afirma.

Sua colega de profissão e companheira de viagem, Andréia da Silva Ferreira, diz que o esforço para conquistar clientes compensa. ''Agora as encomendas já estão voltando e vou comprar mais estoque do que comprei no ano passado. Dando descontos você perde um pouco, mas não fica com a mercadoria encalhada'', diz Andréia.

Pelas lojas de varejo popular de São Paulo, a quantidade de pessoas em busca de artigos para decoração de Natal sinaliza que as previsões dos varejistas de vendas mais robustas podem ser confirmadas.

''No ano passado, gastei uns R$ 70 por pessoa em presentes. Este ano, já pretendo gastar uns R$ 100'', diz Silvina Mendes, 39 anos.

A crise também não influenciou os planos da estudante Paloma Bastos, 22 anos, de decorar a casa em seu primeiro Natal casada. ''Separei um dinheiro no orçamento e vou investir na decoração'', diz.

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