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Passada a fase aguda, EUA e Europa enfrentam momento crônico

Passada a fase aguda, EUA e Europa enfrentam momento crônico

Atualizado: Quarta-feira, 15 Setembro de 2010 as 10:32

Ainda que os Estados Unidos tenham dado sinais de recuperação da crise antes da Europa, ambas as economias devem demorar a dar amostras mais consistentes de crescimento, na visão de especialistas. Apesar de a fase de pânico ter passado, agora os países desenvolvidos vivem um momento “crônico”, dizem. Nos dois casos, a melhoria mais consistente deve vir do consumo da população. A questão é que tanto os europeus como os norte-americanos ainda não estão confiantes o suficiente em suas economias para voltar a gastar.  

“No mercado financeiro, o pior já passou”, diz Álvaro Taiar, responsável pela indústria de mercado financeiro da PriceWaterhouseCoopers (PwC) . “Mas as economias ainda estão devagar e devem continuar assim por pelo menos mais três anos.”

Mônica Baumgarten de Bolle, economista e sócia da Galanto Consultoria, lembra que uma crise bancária severa não termina quando as medidas são tomadas, pois ainda é preciso lidar com todo um problema fiscal e estrutural. Ela afirma que, apesar dos pacotes econômicos e medidas monetárias, fiscais e recessivas tomadas para conter a crise, ainda é preciso curar o problema original: o excesso de endividamento. Nos EUA, os endividados eram do setor privado, principalmente os bancos. Na Europa, o problema maior era do setor público, dos governos.

“Na Europa, a crise exacerbou uma situação ruim que já era existente. Na Grécia, por exemplo, a dívida existia há muito tempo”, diz Mônica. Agora, passado o momento agudo da crise, é hora de tratar os problemas que levaram à recessão. A Espanha também já estava no início do estouro de um boom imobiliário. A economia de Portugal, por sua vez, havia passado por um surto de crescimento após a adesão ao euro e não tinha perspectivas de continuar a crescer por ser pouco diversificada, comenta a professora. “A crise exacerbou tudo isso”, afirma. Já no caso norte-americano, houve um problema de consumo após a seca de crédito das instituições financeiras. “De uma hora para outra, as famílias pararam de consumir”, diz Otto Nagami, professor de economia do Insper.

Segundo tempo

Os especialistas acreditam que tanto Europa quanto EUA estão vivenciando agora um segundo momento da crise. O primeiro, da ocasião do estouro dos problemas, foi o agudo, quando houve pânico e os mercados de crédito travaram. O atual é uma fase crônica, em que é preciso tentar crescer e, ao mesmo tempo, lidar com o endividamento.

De agora em diante, os governos tanto dos EUA como europeus devem continuar a lutar pelo crescimento do consumo. “Apesar de aliviadas com os juros reduzidos, as famílias seguem endividadas e vai demorar para que se sintam confortáveis para voltar a consumir”, diz a economista. “A partir do momento que o cidadão norte-americano se sentir seguro com as perspectivas, ele voltará a gastar”, acrescenta Nagami.

Na Europa, essa volta pode demorar mais e os próximos anos devem ser muito difíceis, segundo os especialistas. Mesmo antes da crise, os europeus já tinham atingido um nível de satisfação de consumo, comentam. “Além disso, por uma questão cultural de passado de guerras, eles têm o conceito de poupança de longo prazo muito fortalecido”, diz Nagami.

Postado por: Thatiane de Souza

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