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Pesquisa indica que empresários vão segurar investimentos por causa da crise

Pesquisa indica que empresários vão segurar investimentos por causa da crise

Atualizado: Sexta-feira, 23 Janeiro de 2009 as 12

O empresário brasileiro está pessimista com o cenário macroeconômico nos próximos seis meses e se mostra decidido a segurar o freio dos investimentos, por causa das incertezas da crise financeira internacional. A conclusão é de pesquisa divulgada na última quinta-feira, dia 22 de janeiro, pela Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca).

A pesquisa ouviu representantes de 52 grandes empresas filiadas à Abrasca, que representam cerca de 40% do valor de mercado da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e correspondem a um quarto do total de companhias ligadas à entidade. Conforme o levantamento, 86% das companhias abertas prevêem queda nos investimentos neste semestre contra 8% no semestre anterior e apenas 2% no mesmo período do ano passado. Naquela ocasião, 72% das empresas pretendiam expandir os investimentos, mas hoje somente 4% mantêm esse propósito.

Para o presidente da Abrasca, Antonio Castro, esse dado é preocupante, porque, se for materializado, “terá implicações em termos da capacidade produtiva nacional”. Se não há investimento para aumentar a produção, o restante da economia pode ficar estagnado, disse ele. Os números da mostram que os empresários estão em compasso de espera, aguardando a evolução da crise e o comportamento da demanda: “O ano começa sob o signo da cautela.”

Outra variável que preocupa é o crédito. O problema não afeta muito as grandes empresas, que têm acesso ao crédito, mesmo estando mais caro, mas pequenas e médias têm dificuldade. “O fator crédito pesa, principalmente para aquelas [empresas] que não são tão grandes”. Castro disse que esse cenário está relacionado com a aversão do investidor estrangeiro ao risco, o que aumenta o custo do crédito. Para ele, o clima de normalidade só deve voltar no próximo ano.

A pesquisa mostra também que nenhuma empresa espera aumento de postos de trabalho no país e que 85% delas projetam queda no nível de emprego. Mesmo em seu respectivo setor, apenas 6% das empresas que compõem a amostra prevêem alta, contra 50% que projetam estabilidade e 44% que esperam retração. No mesmo semestre de 2008, a sondagem indicava que 79% esperavam aumento no número de empregos no país e 62% projetavam ampliação das vagas em sua área de atividade.

Castro defendeu a flexibilização das regras do trabalho para garantir o emprego. “Faria uma diferença muito grande”, tendo em vista a tendência crescente de terceirização para redução de custos. Para ele, a questão do desemprego está relacionada à demanda do setor e ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma dos bens e serviços produzidos no país. Na pesquisa, 81% dos entrevistados apostam na queda do PIB este ano, mas há um ano previa-se forte crescimento da demanda no setor (82% contra 13% agora), bem como para o PIB (72%).

No segundo semestre de 2008, a visão predominante era de estabilidade para o PIB (39%) e de elevação para a demanda do setor (61%). A maioria das empresas filiadas à Abrasca espera este ano crescimento de cerca de 3% para o PIB. Castro explicou que a percepção mudou por causa da crise externa. Segundo ele, no mercado de capitais, não há sinais fortes de recuperação, mas, quando se olha para a Bovespa, tem-se um alento, porque a visão predominante ainda é de estabilidade para os negócios: 56% das respostas, contra 31% no semestre anterior.

As projeções serão revistas pela Abrasca no segundo semestre.

 

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