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Petrobras perde R$ 1 bilhão com petróleo caro

Petrobras perde R$ 1 bilhão com petróleo caro

Atualizado: Sexta-feira, 8 Abril de 2011 as 8:35

A Petrobras perdeu R$ 1,14 bilhão nos três primeiros meses deste ano com a defasagem entre os preços da gasolina e do diesel no mercado interno e o externo, segundo cálculo do CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura).

Além dos preços, a estimativa utiliza os números de produção, importação e exportação de combustíveis no Brasil disponíveis até fevereiro e atribui uma estabilidade desses dados para março --as informações do mês passado não estão disponíveis.

De acordo com o CBIE, a gasolina está 23% mais barata no Brasil do que nos Estados Unidos (referência de mercado), e o preço do diesel é 11% menor no país --os valores são da terça passada.

"A Petrobras funciona ao contrário da lógica do setor. Quando o preço do petróleo aumenta, as ações de qualquer petroleira no mundo sobem. Com a Petrobras, é ao contrário", diz Adriano Pires, diretor do CBIE.

AÇÕES

Enquanto o preço do petróleo tipo Brent subiu 6% em 30 dias, as ações preferenciais da Petrobras caíram 3,7% no mesmo período.

"A política de olhar os preços no longo prazo acaba prejudicando momentaneamente a Petrobras", diz Nelson Rodrigues de Matos, analista do BB Investimentos.

Mas, no longo prazo, a estatal recupera suas perdas, afirma o analista. Entre outubro de 2008 e janeiro de 2011 --quando os preços no país superavam os praticados no mercado internacional--, a estatal "lucrou" R$ 26,5 bilhões com essa política.

Boa parte desse ganho, no entanto, serviu apenas para compensar as perdas acumuladas antes da crise, quando os preços lá fora estavam mais altos do que no país.

"A Petrobras pode ter essa visão de longo prazo porque domina refino e importações. A falta de concorrência faz com que ela tenha certeza de que vai recuperar as perdas."

INVERSO

Mas, desde o início do governo Lula, o balanço é negativo para a Petrobras. O CBIE estima que a estatal deixou de ganhar R$ 7,7 bilhões com a diferença entre preços internos e externos desde 2003.

A Petrobras não quis comentar os cálculos. Em nota, afirmou que "os preços se mantêm alinhados aos [das] principais concorrentes mundiais no longo prazo".

GABRIELLI

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, voltou a afirmar que, se o petróleo se mantiver no nível atual, "teremos, provavelmente, que reajustar" os preços praticados no mercado interno.

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