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Previsões para a Bolsa dependem da capitalização da Petrobras

Previsões para a Bolsa dependem da capitalização da Petrobras

Atualizado: Sexta-feira, 27 Agosto de 2010 as 11:20

No início do ano, os analistas de mercado acreditavam que o Ibovespa, o principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), encerraria 2010 em um patamar acima dos 80 mil pontos. No momento, contudo, o indicador, que está abaixo de 64 mil pontos, precisa de um salto de 25% para chegar a esse nível. Segundo os novos prognósticos, esse salto pode ocorrer se for sacramentada a capitalização da Petrobras. Da operação - com a qual a estatal pretende levantar recursos para o plano de investir US$ 224 bilhões (ou mais de R$ 380 bilhões, segundo a cotação atual) -, portanto, dependem as projeções feitas no início do ano.

“Se a capitalização sair, a ação da Petrobras vai andar muito bem, e o Ibovespa pode confirmar as projeções iniciais de 80 mil a 85 mil pontos este ano”, diz Pedro Galdi, chefe de análise da SLW. Desde o início do ano, as incertezas em relação ao processo de capitalização da Petrobras vêm castigando as ações da petrolífera na Bovespa e, como consequência, penalizando o desempenho de toda a Bolsa. Os papéis preferenciais da estatal caíram 30% até o fechamento de 25 de agosto. Como a companhia tem um grande peso na carteira do índice, de 11,3%, provocou uma perda de 3,4% no Ibovespa.

Até o fechamento da última quinta-feira, o índice acumulava perda de 6,9%. Se as ações da empresa estivessem no momento no mesmo nível em que encerraram 2009, o Ibovespa poderia estar acima dos 66 mil pontos e não abaixo dos 64 mil pontos, como está.

A queda do valor das ações acontece principalmente porque os investidores vendem suas posições. O objetivo deles é comprá-las novamente, só que mais baratas, no momento da oferta da empresa. “A Petrobras ajudou a atrapalhar a Bolsa como um todo. Com a iminência de capitalização, muitas pessoas realocam seus recursos em outros tipos investimentos, esperando para recomprar na oferta”, diz José Góes, analista da Wintrade, corretora da Alpes.

Além de sua própria queda, a Petrobras também tem efeito sobre outras empresas, tanto do setor petroquímico, como de companhias ligadas à cadeia de produção da estatal, segundo Fausto Gouveia, economista da Legan Asset. “Empresas como Lupatech e Confab são exemplos de ações que podem ser influenciadas, por serem fornecedoras da Petrobras”, afirma.

Influência externa

Além da capitalização da Petrobras, o cenário externo é outro importante fator a exercer influência sobre o Ibovespa. A economia norte-americana, em especial, é o que mais altera o humor dos investidores.

Quando dados mostram uma deterioração da atividade econômica, a tendência é que recursos sejam retirados de ativos considerados arriscados, como é o caso da ações, para serem colocados em alternativas mais seguras, como os títulos do governo dos Estados Unidos. “Em momentos assim, o investidor fica receoso de permanecer em mercados emergentes, como o brasileiro, que é considerado de maior risco”, diz Osmar Camilo, analista da corretora Socopa.

Assim, para que o índice realmente avance 17 mil pontos e supere a barreira dos 80 mil, é preciso que as economias desenvolvidas - principalmente a norte-americana - mostrem sinais mais consistentes de recuperação, segundo os analistas.

Pedro Galdi, chefe de análise da corretora SLW, lembra que sinais de fraqueza nos Estados Unidos esta semana já pesaram sobre o índice. “Nesta sexta-feira, também sairão dados do PIB [Produto Interno Bruto] norte-americano. Sinais como estes acabam influenciando”, diz.

Fausto Gouveia, economista da Legan Asset, concorda. “Se a Petrobras conseguir o capital necessário para seus investimentos, o Ibovespa deve retomar o tempo perdido e buscar os 80 mil pontos. Mas o cenário externo precisa ajudar”, diz.

Cenário menos otimista

Apesar de apostarem no sucesso da capitalização da Petrobras, os analistas também fizeram cálculos para outros cenários. Em um quadro menos otimista, em que a operação não ocorra, ou então que notícias ruins dos Estados Unidos mostrem deterioração da economia daquele país, a expectativa é que o principal índice de ações brasileiro fique entre 69 mil e 79 mil pontos, o que já significaria um ganho de 8% a 24% em relação ao nível de 25 de agosto.

Para Camilo, da Socopa, o cenário mais provável é aquele em que a Petrobras se capitalizará e aliviará suas perdas do ano. Mas o quadro externo pode continuar pesando sobre os mercados. A expectativa do analista para essa situação é que o índice termine o ano acima dos 70 mil pontos. Para as mesmas condições, Paulo Esteves, analista da Gradual investimentos, acredita que o Ibovespa possa atingir até 75 mil pontos.

Uma situação muito negativa é pouco provável, na visão dos analistas. Se a capitalização da Petrobras continuar indefinida e o cenário externo piorar, o Ibovespa poderia até cair para abaixo do nível atual de 65 mil pontos, ou não ultrapassar os 69 mil pontos, acredita Camilo. “Mas é muito improvável que isso aconteça. Só um problema crônico nos Estados Unidos poderia levar a um cenário de queda do índice”, diz.

Postado por: Thatiane de Souza

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