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Produzir alimentos para o mundo ficou mais difícil com a crise

Produzir alimentos para o mundo ficou mais difícil com a crise

Atualizado: Quarta-feira, 11 Março de 2009 as 12

O desafio de produzir alimentos para a população mundial se tornou mais difícil com a crise financeira e requer vontade política dos governantes tanto de países ricos quanto de emergentes, na avaliação do diretor-geral da Agência das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Jacques Diouf.  Diouf manteve uma série de reuniões com o governo brasileiro no início desta semana e voltou a defender que, para se acabar com a fome no mundo, é necessário que os países ricos invistam por ano US$ 30 bilhões. Somente assim, em 2050, de acordo com estimativas da FAO, seria possível alimentar os 9 bilhões de habitantes da terra. "O maior problema que temos no mundo é o de aumentar a produção e a produtividade tanto nos países ricos e nos países emergentes", disse.

Para o diretor-geral da FAO, a questão da alimentação não se resume apenas a um problema econômico, ele também é político e está relacionado ao acesso às novas tecnologias de produção. “É necessário que se tenha um posicionamento político. A questão dos alimentos não é só uma questão econômica, mas também é uma questão ética. Um país pobre vai continuar sem acesso às tecnologias mais avançadas de produção", afirmou.

Giouf também falou sobre os atuais preços dos insumos que permanecem altos, mesmo com a queda do barril do petróleo. "Não tem sentido em se manter o preço dos fertilizantes tão altos, se já não temos mais o preço do barril do petróleo tão alto como o praticado no ano passado. É curioso que o preço dos insumos aumentem", afirmou.

Essa é uma das discussões que a FAO pretende travar na Cúpula Mundial sobre Segurança Alimentar, em Roma, em novembro. Diouf arriscou-se em dizer que o encontro de novembro poderia se chamar “Fome Zero no Mundo".

O objetivo da visita ao Brasil, de acordo com Diouf, foi conhecer os detalhes dos programas desenvolvidos pelo governo brasileiro na distribuição de renda, apoio à agricultura familiar e contra a fome, que, segundo ele, poderiam ser implantados em outros países. “O Brasil é exemplo na luta contra a fome porque colocou como política eleitoral o combate à fome", disse, referindo-se ao Fome Zero.

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