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Queda da expatriação muda direção da carreira

Queda da expatriação muda direção da carreira

Atualizado: Sexta-feira, 10 Setembro de 2010 as 1:02

Ao mesmo tempo em que diminuiu o número de expatriados brasileiros nos últimos dois anos em função da crise, aumentou o interesse de altos executivos, e profissionais em início de carreira, em permanecerem no Brasil.

Prova disso é que ao contrário das expectativas no ano passado, a maioria das grandes empresas concedeu reajuste salarial acima da inflação e pagaram incentivos de curto prazo aos seus funcionários, como bônus e participação nos lucros.

Uma pesquisa da Mercer, especializada em remuneração e benefícios, divulgada na semana passada, realizada com mais de 300 empresas de grande porte, apontou que apenas 3% dessas companhias não pagaram bônus, contra 26% que pagaram acima do que havia sido estipulado.

Verde e amarelo

Em junho, a Universum Global e Cia de Talentos também realizaram um levantamento que constatou que jovens brasileiros preferem trabalhar em empresas nacionais. Pela pesquisa, a empresa considerada empregadora ideal foi a Petrobras, na avaliação de mais de 11,3 mil universitários.

“As empresas brasileiras estão ficando atraentes para os profissionais, tanto brasileiros quanto estrangeiros. Está mudando um pouco a dinâmica do mercado laboral”, diz Alberto Mondelli, diretor geral da Mercer para a América Latina.

Para Danute Gardziulis, sócia-diretora da GNext Talent Search, o movimento de diminuição da expatriação coincidiu com os pontos favoráveis do mercado brasileiro. “Para muitos países o Brasil é a bola da vez”, diz a consultora.

Retorno

Apesar de não existir números que indiquem quantos executivos são chamados de volta para o Brasil, um levantamento feito pelo Banco Central constatou que as remessas de dinheiro de imigrantes brasileiros para o país diminuíram 23% entre 2008 e 2009. A crise internacional e a valorização do dólar são fatores que contribuíram para essa queda.

Ao mesmo tempo em que a experiência de expatriação é extremamente rica não apenas no currículo de um executivo, mas para sua vida, vale lembrar que há formas de compensar essa perda. Danute sugere que o profissional tente trabalhar em ações globais no Brasil, realizar negócios conjuntos com outros países, além de buscar cursos de formação e aprimoramento.

“Esse movimento de expatriação deve retornar, mas não com a velocidade desejada. É um ciclo natural do mercado. Hoje, muitas empresas brasileiras estão se internacionalizado e vão precisar de uma estrutura fora, o que favorece a expatriação.”

Danute acrescenta que a diversidade está se tornando cada vez mais um valor para as grandes multinacionais. “Atualmente, quase todos os programas de formação de líderes têm a política de expatriar, porque isso é favorável a todos. Mais do que pela necessidade, mas pela bagagem cultural que essa pessoa terá quando retornar à matriz.”

Postado por: Thatiane de Souza

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