MENU

São Paulo perde participação em novas moradias e ganha escritórios

São Paulo perde participação em novas moradias e ganha escritórios

Atualizado: Quarta-feira, 19 Janeiro de 2011 as 12:55

A escassez e os altos preços de terrenos na capital paulista estão "empurrando" a construção de moradias para as demais cidades da região metropolitana - e, de quebra, enfatizando a vocação de negócios da cidade de São Paulo. De acordo com o Sindicato da Habitação (Secovi-SP), das unidades residenciais lançadas na Região Metropolitana em 2004, cerca de 20% estavam fora da capital. No ano passado, a participação dessas cidades nesse mercado chegou a quase 50%.

Mas se a cidade de São Paulo perde espaço para novas moradias, o número de unidades comerciais construídas na capital no ano passado foi o maior em dez anos.

“A capital tinha uma grande demanda por escritórios que não estava sendo enxergada pelos empreendedores. Em 2010, todo mundo resolveu fazer unidades comerciais”, avalia Luiz Paulo Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp).

O especialista afirma que muitos desses lançamentos comerciais estão surgindo em regiões como Santana, na Zona Norte, e Penha e Tatuapé, na Zona Leste. Tradicionalmente, escritórios costumam estar concentrados em regiões como a Avenida Paulista, no centro; Vila Olímpia, na Zona Sul; e da marginal Pinheiros, lembra Pompéia.

De acordo com dados da própria Embraesp divulgados pelo Secovi-SP, foram lançados na Região Metropolitana de São Paulo 5,1 mil conjuntos comerciais de janeiro a novembro de 2010, sendo 4,1 mil apenas na capital.

No mesmo período, foram lançadas 57.044 unidades residenciais na região metropolitana de São Paulo, sendo 29.788 na capital e 27.256 nas demais cidades, participação de 52,2% e 47,8%, respectivamente.

Em 2004, a participação da capital nos lançamentos de moradias na região metropolitana era de 80%, a maior proporção desde 2001, quando estava em 72,6%. De 2004 para cá, contudo, a fatia de lançamentos em São Paulo foi caindo a cada ano.

120 quilômetros da capital

Segundo Pompéia, o preço do terreno na cidade de São Paulo está ficando muito caro, fazendo com que as incorporadoras busquem alternativas nas cidades vizinhas em um raio de até aproximadamente 120 quilômetros da capital. “Os lançamentos residenciais estão indo para as demais cidades da região metropolitana e vão até o interior, em regiões como Sorocaba e Campinas”, diz.

O presidente do Secovi-SP, João Crestana, afirma que, dentro da região metropolitana, a maioria dos lançamentos estão no ABC Paulista e nas cidades de Guarulhos e Osasco. Crestana diz que, além da escassez de terrenos em São Paulo, os que existem são, em grande maioria, de antigas indústrias, o que exige uma negociação da empreiteira com o dono do espaço.

“O detentor do lugar tem expectativa de receber um recurso que não cabe na conta da construtora”, diz. Há ainda o problema de solos contaminados, além da burocracia para construir na cidade, lembra Crestana. “Precisamos fabricar terrenos na cidade”, diz o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci.

Bolso do consumidor

O alto preço dos terrenos na capital resulta em unidades que, muitas vezes, não cabem no bolso da maioria dos consumidores. De acordo com Pompéia, para conseguir viabilizar o negócio economicamente as construtoras acabam construindo produtos de preços muito elevados nesses espaços.

Por esse motivo, há bastante oferta no segmento de alto padrão na capital, o que fez as construtoras pisarem no freio para esse mercado em 2010, já que a demanda que existia já foi consumida, diz Pompéia. Nos anos de 2006 e 2007, por exemplo, a participação de unidades de quatro dormitórios entre o total de lançamentos na cidade atingiu 37% e 34%, respectivamente, porcentual que caiu para 8,7% até novembro de 2010.

De acordo com Pretucci, lançamentos mais caros já não estão sendo vendidos com tanta rapidez. Por outro lado, o economista afirma que é difícil fazer um lançamento de até R$ 150 mil na cidade e ele não ser totalmente vendido em seis meses.

Novos horizontes

Diante dos preços altos, o consumidor que pretende comprar um apartamento na região do Ipiranga, na Zona Sul da capital, por exemplo, acaba abrindo os olhos para as cidades vizinhas do ABC Paulista, diz Pompéia, lembrando da importância da construção de transportes como o metrô para além da capital paulista. De acordo com o economista-chefe do Secovi, Petrucci, por sua vez, os lançamentos de escritórios na cidade de São Paulo têm acompanhado as linhas de metrô e trem. “Estamos levando as pessoas para morar longe, mas o metrô, o transporte e o trabalho estão na capital”, lembra o especialista.   Por: Gabriela Gasparin

veja também