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Sem acordo, Brasil e Argentina começam a discutir barreiras

Sem acordo, Brasil e Argentina começam a discutir barreiras

Atualizado: Terça-feira, 24 Maio de 2011 as 8:42

Brasil e Argentina começaram nesta segunda-feira, em Buenos Aires, a discutir as medidas tomadas pelos dois governos para dificultar a importação de bens. O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alessandro Teixeira, esteve reunido hoje por mais de duas horas com seu equivalente argentino, Eduardo Bianchi. Até o momento não há acordo.

No encontro, eles trataram sobre a entrada de automóveis argentinos no Brasil e a exportação para a Argentina de produtos brasileiros que estavam bloqueados na fronteira, como pneus, baterias e calçados. Na última semana, os países começaram a liberar alguns bens retidos como um gesto amistoso para o encontro desta semana.

"A reunião foi produtiva e há boa vontade dos dois lados", limitou-se a dizer Alessandro Teixeira. Segundo as autoridades brasileiras, os governos ainda vão realizar consultas internas para saber o quanto podem ceder. A previsão é anunciar um acordo ou pelo menos um "plano de ação" até amanhã, último dia da reunião bilateral.

Eduardo Bianchi, em nota, disse que os "dois governos estão discutindo suas preocupações e trabalhando por solucionar cada ponto da tensão motivada pela relação comercial".

Há duas semanas o governo Dilma Rousseff baixou uma medida que dificulta a importação de carros, abrindo uma crise com a Argentina. Válida para todos os países, a decisão atingiu diretamente a indústria automobilística do país vizinho, que responde por mais da metade dos veículos importados pelo Brasil.

RESPOSTA

A medida foi uma reposta à atitude argentina de reter na fronteira produtos da linha branca (geladeiras e ar-condicionado), pneus, baterias e até chocolates.

Em fevereiro, o governo de Cristina Kirchner aumentou de 400 para 600 o número de itens que deixaram de ter licença automática de importação, prejudicando exportadores brasileiros. O Brasil reclama que o país não respeita o prazo máximo de análise dessas licenças, que segundo a OMC (Organização Mundial do Comércio) é de 60 dias. Empresários brasileiros dizem que algumas licenças estão vencidas há quase 300 dias.

Além de tentar proteger sua frágil indústria, o governo argentino adota medidas protecionistas com o objetivo de manter o superavit de sua balança comercial _as importações do país crescem duas vezes mais que as exportações.

Em 2010, o comércio entre os países superou o montante de US$ 33 bilhões. O Brasil é superavitario --o deficit da Argentina, no ano passado, foi de US$ 4 bilhões.

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