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Setor de máquinas agrícolas retoma investimentos

Setor de máquinas agrícolas retoma investimentos

Atualizado: Quarta-feira, 28 Abril de 2010 as 12

O clima de otimismo é indisfarçável entre alguns expositores da Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), montada ao ar livre em uma fazenda em Ribeirão Preto, interior de SP. Mas os sinais de alerta também estão no ar.

Por um lado, as empresas anunciam números que comprovam a retomada das vendas e dos investimentos aos níveis anteriores da crise global que atingiu o mercado do agronegócio em 2009. Por outro, há preocupação com a capacidade do setor de reinvestir recursos que assegurem o crescimento da produção.

O Ministério da Agricultura divulgou a previsão de uma safra recorde (crescimento de 8,5% em comparação o período anterior) e o retorno dos investimentos no setor do agronegócio. As empresas corroboram esse cenário.

"A expectativa é de vendas bastante aquecidas para todas as categorias, já que os investimentos estão sendo retomados no agronegócio", diz Paulo Beraldi, diretor comercial da Valtra, que comercializa linha de tratores, colheitadeiras, equipamentos e implementos agrícolas.

O evento em Ribeirão Preto começou na segunda-feira e termina na próxima sexta. Conta com 730 expositores distribuídos em 360 mil metros quadrados. São estimados em 140 mil os visitantes desta edição, vindos de mais de 40 países diferentes. Indústria de tratores, colheitadeiras, fabricantes de implementos agrícolas, de insumos, montadoras de caminhões e utilitários, prestadores de serviços, bancos, entidades de classe e entidades governamentais, entre outros, fazem parte dos exibidores. O total de negócios girados na feira estava estimado em R$ 860 milhões, mas esse número deve subir.

Um exemplo: a Tracbraz, empresa de equipamentos de tecnologia simplificada, prevê negociar dez unidades de pás-carregadeiras nos cinco dias de feira. Isso significa 5% da meta anual da empresa. "O País está em um momento propício, no qual a indústria está buscando melhorar e aumentar sua frota" diz Antônio Rosa, diretor da empresa.

Agricultura familiar

Também foi comemorada a iniciativa do governo federal de tornar perene o programa "Mais Alimentos", desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário para estimular a mecanização dos agricultores familiares e elevar a oferta dos alimentos. De acordo com dados do próprio ministério, desde a sua criação, em 2008, já foram entregues pelo programa mais de 25 mil tratores - outros 60 mil já foram contatados.

"A Agrale tem se firmado como o principal fabricante de tratores para o segmento da Agricultura Familiar e do Programa Mais Alimentos. A cada ano, lançamos pelo menos um novo modelo destinado ao pequeno e médio agricultor, fortalecendo nossa presença no segmento mais importante do mercado brasileiro", diz o diretor de vendas da Agrale, Flávio Crosa.

Como sinal dessa busca por novos mercados, a New Holland diversificou seu foco de atuação. "Neste ano, estamos lançando equipamentos para todos os públicos. Tem colheitadeira para produtores de grãos, tratores de pequeno e médio porte com versão cabinada, que vai atender às necessidades de produtores da agricultura familiar e de propriedades maiores, e uma linha completa de tratores desenvolvidos para o trabalho na cana-de-açúcar", diz o diretor comercial da empresa, Luiz Feijó.

Sinais de alerta

Os sinais de alerta vêm das entidades setoriais. O presidente da Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert, disse que será um crime o aumento da taxa básica de juros, a Selic, que deve ser promovida pelo Banco Central. "Todos esses números de retomada sofrerão impacto", afirmou.

Celso Casale, vice-presidente da entidade, diz que o setor comemorou a perenização do programa "Mais Alimentos", mas reforçou o pedido para que o valor emprestado, por meio do governo federal, aos pequenos e médios agricultores seja elevado, dos atuais R$ 100 mil para R$ 150 mil. "Estamos negociando com a área econômica e esperávamos o anúncio desta elevação de margem aqui para a feira. É importante que este pequeno agricultor possa não só comprar o equipamento, mas tenha capital para adquirir todo o implemento necessário para sua produção. Isso garantirá até a renda necessária para pagar o empréstimo tomado", afirmou.

Outra preocupação é com o preço baixo das commodities agrícolas e pelo câmbio pouco competitivo no setor. O presidente da Agrishow, Cesário Ramalho, acrescentou outro elemento de ponderação para o diagnóstico do agronegócio: os altos impostos. Quando questionado sobre o otimismo na feira que preside, resumiu: "O produtor é assim. Quando colhe bem, ele se anima. Mas ele colhe primeiro e paga as contas depois".

Por: Marcelo Diego

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