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Vale tem lucro recorde de R$ 11,29 bi no primeiro trimestre

Vale tem lucro recorde de R$ 11,29 bi no primeiro trimestre

Atualizado: Sexta-feira, 6 Maio de 2011 as 8:54

O resultado da Vale bateu novo recorde no primeiro trimestre do ano. A mineradora lucrou R$ 11,291 bilhões, crescimento de 292,2% ante os R$ 2,879 bilhões registrados em igual período do ano anterior. Na comparação com o quarto trimestre de 2010, a alta foi de 12,9%.

O aumento reflete preços maiores de seu principal produto, o minério de ferro, e a venda de ativos de alumínio à norueguesa Norsk Hydro, por US$ 5,9 bilhões.

O último recorde havia sido registrado no terceiro trimestre do ano passado (R$ 10,554 bilhões). Em 2010, impulsionada pela alta do minério de ferro e a nova política de reajuste trimestral, a empresa registrou seu melhor resultado anual, com alta de 192% no lucro líquido, para R$ 30,1 bilhões.

De acordo com comunicado da empresa, a receita operacional foi recorde para o primeiro trimestre. Os R$ 23,573 bilhões representaram alta de 80,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Na comparação com o trimestre anterior, no entanto, a cifra representa um recuo de 12,6%.

A mineradora atribui a redução a "condições climáticas extremamente adversas e desatares naturais", que resultaram num volume menor de vendas. O impacto foi compensado pela alta de preços nos minérios, que garantiu R$ 1,055 bilhão adicionais.

A China -- que continua ser o maior mercado -- reduziu sua importância nas vendas da Vale. A participação do país asiático caiu de 34,6% no quarto trimestre para 29,5%. Enquanto isso, a fatia das vendas para a América subiu de 23,% para 28% e as da Europa de 17,5% para 19,2%.

O Ebitda (lucro antes de impostos, juros, amortizações e depreciações) no primeiro trimestre foi de R$ 15,517 bilhões, contra R$ 5,385 bilhões há um ano.

TROCA DE COMANDO

O resultado da Vale divulgado nesta quinta-feira marca o último sob o comando de Roger Agnelli na presidência da companhia. Ele será substituído, ainda neste mês, pelo ex-diretor da mineradora, Murilo Pinto de Oliveira Ferreira.

O anúncio da substituição foi feito no começo de abril e colocou fim a um momento de turbulência e atritos com o governo. O mercado já especulava que Agnelli poderia perder o cargo há meses.

No comando da Vale desde 2001, Agnelli começou a receber críticas por priorizar investimentos fora do Brasil e a produção de minério de ferro. A visão do governo é que a empresa deveria priorizar investimentos em siderurgia e a criação de vagas no Brasil.

Episódios como a demissão de 1.300 funcionários na época da crise -- que contrariou o pedido do então presidente Lula para que empresários não demitissem -- e uma encomenda de navios fora do país acentuaram as críticas.

"A missão do governo é diferente da de uma empresa. Completamente diferente", afirmou nesta o executivo em evento nesta quinta-feira.

As afirmações seguiram o pronunciamento do ministro da Fazenda, Guido Mantega, há dois dias no Senado. Apesar de negar interferência na política na troca do comando, ele admitiu que o governo estava descontente com a empresa e que Agnelli ignorou esse descontentamento.

Murilo Ferreira trabalhou na Vale de 1977 a 2008, onde ocupava a presidência da Vale Inco, subsidiária canadense de níquel que ajudou a comprar.

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