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Veja a repercussão da decisão do Copom sobre a taxa de juros

Veja a repercussão da decisão do Copom sobre a taxa de juros

Atualizado: Quinta-feira, 2 Setembro de 2010 as 10:33

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa básica de juros inalterada em 10,75% ao ano era esperada pelo mercado. A manutenção dos juros acontece após três aumentos consecutivos. O Copom começou a subir a taxa básica da economia brasileira em abril, e depois promoveu mais duas elevações em junho e julho deste ano. Antes disso, os juros estavam em 8,75% ao ano, a mínima histórica. Deste modo, a subida total dos juros em 2010 foi de dois pontos percentuais.

Veja o que analistas de mercado e entidades civis acharam da decisão do Copom:

Evaldo Alves, professor de Economia da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (EAESP/FGV)

"Era esperada (a manutenção da Selic) por uma boa e simples razão – aquele surto inflacionário que ocorreu no começo do ano já mostra que foi dissipado. Temos que nos precaver porque estamos nos aproximando do fim do ano, um momento de aumento da renda, por conta de 13.º salário e da distribuição de alguns bônus. Então, para a próxima reunião, embora a tendência seja de manutenção, talvez apliquem um corretivo, mas tudo vai depender do comportamento da inflação."

Alcides Leite, professor da Trevisan Escola de Negócios

"Foi uma decisão esperada porque há uma redução da pressão inflacionária. Não há mais perspectiva de, nos próximos meses, ter risco da taxa de inflação se afastar muito do centro da meta. Foi uma decisão correta, a meu ver, e o que precisa daqui para frente é aumentar o investimento, porque só assim o Brasil pode crescer a taxas de 5% ou mais, por um período prolongado, sem ter pressão inflacionária."

Otto Nogami, professor de Economia do Insper (ex-Ibmec São Paulo)

"A grande preocupação do mercado estava em torno da pressão inflacionária, mas como as prévias, pelo menos o IPC semanal, apesar de ser negativo, mostrar uma deflação, sinaliza que está diminuindo e deixa as autoridades tranquilas. Por isso é interessante manter a taxa de juros neste patamar. Há uma expectativa para o próximo ano, vamos estar um pouco acima da meta, de 5%. Acho que, preventivamente, o Banco Central podia ter aumentado 0,25%, para sinalizar que está atento. Para o governo interessa a manutenção neste patamar."

Miguel Torres, presidente em exercício da Força Sindical

"A decisão do Copom é decepcionante. Uma queda substancial na taxa básica só traria benefícios para o país. Enquanto todos os indicadores sinalizam para o crescimento econômico, inflação sob controle e queda no índice de desemprego, o Copom insiste em impor um forte obstáculo ao desenvolvimento. Os insensíveis tecnocratas do Banco Central perderam uma ótima oportunidade de afrouxar um pouco a corda que está estrangulando o setor produtivo, que gera emprego e renda."

Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio)

"Na prática, teria sido muito mais adequado não ter promovido aumento da Selic no início do ano. Desde então, o país está gastando uma fábula com juros enquanto a inflação não se move há mais de quatro meses. Não havia sentido em iniciar um ciclo de elevação de juros se a inflação medida entre janeiro e março não apresentou sinais de que teria combustível para continuar.”

Benjamin Steinbruch, presidente em exercício da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP

“Tivemos uma desnecessária alta de juros e, agora, essa tendência é suspensa pelo organismo do Banco Central. Restam os ganhadores e os perdedores de sempre. Ganharam os que recebem rendimentos financeiros e perderam os consumidores e empresas que pagam mais pelo crédito utilizado para fazer o país crescer, gerando emprego e renda.”

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp)

“Acho que a decisão adotada pelo Copom foi inteligente. Não desejamos medidas agora que possam interromper o ciclo de crescimento que a nossa economia está obtendo. Parabéns, como sempre, portanto, para o presidente do BC, Henrique Meirelles, e para os integrantes do Copom, pela inteligente decisão tomada hoje (1/9)."

Orlando Diniz, presidente da Fecomércio-RJ

"O Copom acertou ao decidir pela manutenção da Selic, em um cenário de inflação sob controle. Ainda assim, os juros reais no Brasil permanecem como os maiores do mundo, realidade que o comércio conhece bem, especialmente os empresários de menor porte."

Postado por: Thatiane de Souza

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