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Vendas de veículos devem cair no segundo semestre, dizem montadoras

Vendas de veículos devem cair no segundo semestre, dizem montadoras

Atualizado: Quinta-feira, 16 Abril de 2009 as 12

Fim da redução de IPI, exportações e crédito preocupam empresas.

GM espera redução entre 10% e 15% de suas vendas no Brasil.

As quatro maiores montadoras do país - Fiat, Volkswagen, General Motors e Ford - acreditam na redução do volume de vendas no segundo semestre, em relação ao que é esperado para os primeiros seis meses deste ano. O cenário "pessimista" ao comparar com o discurso do governo federal é visto pelas empresas como o reflexo do fim da redução do IPI – previsto para 30 de junho - e das barreiras que o consumidor enfrenta para ter acesso a crédito. Representantes das quatro montadoras reuniram-se, nesta quarta-feira, 15 de abril, na sede da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), em São Paulo, para o lançamento da Cartilha do Etanol.

De acordo com o presidente da General Motors do Brasil e Mercosul, Jaime Ardila, a vendas da GM devem cair entre 10% e 15% neste ano, caso o governo não tome medidas que mantenham o estímulo das vendas no segundo semestre. Em 2008, a GM vendeu 468.476 unidades de automóveis e comerciais leves.

"O governo tem muito espaço para garantir a volta do crédito. É preciso diminuir a taxa de juros e estender prazos para voltarem as facilidades de acesso ao crédito. Para o cliente isso representa um conjunto de fatores", diz Ardila.

O diretor de comunicação corporativa da Volkswagen do Brasil, Antonio Megale, afirma que a Volkswagen também não conta com o fim da redução de IPI em junho e aguarda queda nas vendas de veículos. "Trabalhamos com um cenário sem prorrogação do desconto."

Com a mesma posição, o gerente de relações institucionais da Fiat Automóveis, Marcus Vinicius Aguiar, comenta que a Fiat espera a redução de 10% de suas vendas com a possível desaceleração do mercado a partir de julho. Já o gerente de comunicação da Ford do Brasil, Célio Galvão, não divulga as perspectivas da empresa, mas afirma que a empresa também não conta com a prorrogação do benefício.  

Depósito compulsório

Da mesma forma que as montadoras apostam na prorrogação do IPI, as empresas financeiras – de montadoras ou não – esperam que a flexibilização dos depósitos compulsórios seja alongada para além de 30 de junho. Para os bancos, a medida ajudará na normalização da disponibilidade de crédito no país. "O cenário de crédito de prazos curtos e custos altos demorará a mudar, mas esperamos que a medida que abrange os recursos do compulsório e termina no dia 30 de junho seja adiada", ressaltou o diretor-presidente do Banco Volkswagen, Décio C. de Almeida, em encontro com o ministro Miguel Jorge nesta segunda-feira.

O compulsório é o dinheiro dos bancos que fica retido no Banco Central, como uma forma de controle do sistema financeiro caso haja um colapso na economia e para controlar o fluxo de crédito. Quando a crise começou a afetar o Brasil, em outubro, o Banco Central decidiu flexibilizar este sistema, permitindo abater até 40% do recolhimento do compulsório. Com a medida, foi possível injetar de imediato R$ 23,5 bilhões no sistema financeiro e, assim, aumentar o fluxo de crédito.

Governo está otimista

As reclamações da indústria contradizem a expectativa do governo. Em reunião com representantes da indústria na Câmara Americana de Comércio (Amcham) , nesta segunda-feira (14), o ministro do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, reiterou que o setor manterá o nível de vendas no mercado interno registrado em 2008, de 2,820 milhões de unidades, e afirmou que três montadoras já preparam novos investimentos no país.

Sobre aumentar o prazo de redução do IPI, o ministro diz ser "muito cedo" para falar no assunto. Miguel Jorge também espera manutenção dos níveis de produção em 3,214 milhões. Já a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) acredita que a produção de veículos no Brasil cairá 11,2%em 2009, para 2,86 milhões de unidades. Sobre as vendas, a associação prevê queda de 3,9%, para 2,71 milhões de unidades.

Exportações

A preocupação com o próximo semestre está fortemente ligada à queda das exportações. "O que falta é cliente", ressalta o diretor da Volkswagen. O presidente da GM do Brasil reforça ainda que apesar de o real estar cotado em patamar favorável à venda no exterior, a recessão econômica nos principais mercados exportadores tem dificultado muito os negócios da montadora.

"Vamos exportar neste ano entre 30 mil a 40 mil unidades, sem contar o livre comércio com a Argentina. Contando, o volume sobe para 80 mil unidades", observa Jaime Ardila. No ano passado, a GM exportou 100 mil unidades - sem as vendas para a Argentina, já que ao contar o volume total exportado o número chega a 150 mil unidades. "A queda das exportações forçará redução de 15% da nossa produção neste ano", destaca Ardila.

Cartilha do Etanol

O presidente da Unica, Marcos Jank, anunciou nesta quarta-feira a parceria com as quatro montadoras para a distribuição da "Cartilha do Etanol" em carros bicombustíveis. Cerca de dois milhões de cartilhas serão colocadas nos veículos novos entre maio deste ano e abril do ano que vem. Segundo Jank, o material é "parte de um esforço de conscientização" dos clientes sobre os benefícios do uso etanol.

"O etanol já substituiu 50% do consumo de gasolina no país, se for contar o álcool hidratado e o anidro, que é colocado na gasolina. A tendência é que isso aumente", ressalta Jank.

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