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Assalariado tem mais proteção social no Brasil do que nos EUA, diz estudo

Assalariado tem mais proteção social no Brasil do que nos EUA, diz estudo

Atualizado: Sexta-feira, 20 Maio de 2011 as 2:22

Um estudo feito em conjunto pela Unicamp e Universidade Federal da Bahia (UFBA) revela que o trabalho assalariado tem maior proteção social no Brasil do que nos Estados Unidos. De acordo com o estudo, no Brasil, a geração de postos de trabalho vem acompanhada de um avanço na formalização das relações de trabalho, enquanto nos EUA a criação de novas ocupações vem sendo seguida pela diminuição da proteção social.

O levantamento, conduzido pelos professores Claudio Dedecca, do Instituto de Economia (IE) da Unicamp, e Wilson Menezes (UFBA), analisou comparativamente as diferenças e semelhanças das estruturas ocupacionais dos dois maiores mercados de trabalho das Américas.

O estudo mostrou que a distribuição de rendimentos no mercado de trabalho assalariado brasileiro apresenta um menor grau de concentração que a registrada nos EUA. Além disso, enquanto no Brasil a recuperação da crise econômica de 2008 gerou emprego e repôs perdas salariais, nos EUA os salários permaneceram estagnados. Em entrevista ao “Jornal da Unicamp”, Claudio Dedecca diz que a recuperação salarial brasileira deveu-se, em grande medida, à política de valorização do salário mínimo. Já nos Estados Unidos, o mínimo foi relegado ao esquecimento, fator que explicaria a performance de renda ruim dos americanos.

“O ensaio mostra, por exemplo, que menos da metade dos trabalhadores assalariados americanos tem um emprego socialmente protegido, enquanto que, no Brasil, mais da metade possui. Não temos uma situação europeia, mas em termos de cobertura da proteção social ao trabalho assalariado estamos um pouco à frente dos Estados Unidos. Trata-se de um fato inédito”, disse Dedecca.

Outro ponto que o professor destaca é que os subempregos em supermercados e em redes de fast food são os que apresentam maior crescimento nos EUA, em ocupações de baixíssimas remuneração e qualificação, inclusive para a parcela da população com maior nível educacional. A jornada de trabalho é superior a 44 horas por semana, não há férias, nem 13º, nem acesso ao atendimento de saúde, tampouco previdência.

O estudo mostra ainda que nos EUA a presença do Estado é muito pequena, ou seja, intervém fundamentalmente na obrigação de um salário mínimo básico, na jornada de 40 horas e na contribuição para a previdência social pública básica. Não há descanso semanal remunerado e não existem férias. Tudo depende da capacidade que o trabalhador tem de organizar e lutar por seus direitos. “Você precisa ter sindicato. E os sindicatos hoje em dia lá estão profundamente enfraquecidos. Atualmente, a taxa de sindicalização nos Estados Unidos corresponde a 8%, contra uma de 24% no Brasil”, diz o professor.

O levantamento revelou ainda que o Brasil remunera melhor o branco, enquanto os EUA pagam melhor os negros. Já a escolaridade exerce uma influência positiva sobre os rendimentos no caso dos brasileiros e negativa no caso dos americanos.

O documento, que analisou 116 milhões de assalariados dos Estados Unidos e 55 milhões do Brasil, está sendo avaliado pela Comunidade Europeia e faz parte de um projeto de pesquisa que envolve pesquisadores brasileiros, americanos, ingleses e franceses. Os dados são de 2009.

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