MENU

Começa a temporada extra de caça aos trainees

Começa a temporada extra de caça aos trainees

Atualizado: Terça-feira, 31 Maio de 2011 as 1:57

SÃO PAULO - Com a economia aquecida e um cenário de estabilidade no horizonte, empresas privadas decidiram reforçar a aposta em uma tradicional ferramenta para atração de talentos: os programas de trainees. Antes concentrados nos meses de julho e agosto, esses processos de recrutamento e seleção, criados para fisgar recém-formados de alta performance, agora ocupam também as primeiras folhinhas do calendário.

A mudança ocorre porque, com mais vagas para serem ocupadas, as companhias estão lançando seleções em dois períodos do ano. Além disso, para parte das companhias, o primeiro semestre é a chance de recrutar jovens já disponíveis no mercado e estratégia para fugir da acirrada competição por candidatos.

"Aumentou o número de processos no primeiro semestre", confirma Leyla Nascimento, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). De acordo com ela, como no Brasil, houve, ao longo do tempo, uma concentração desses processos em agosto, o candidato se acostumou a fazer inscrição em muitas empresas ao mesmo tempo.

"Essa geração sabe de seu valor e do que quer. Não é mais a empresa que escolhe o jovem, mas o inverso. Por isso, as companhias estão investindo em ‘vender’ seus programas antes."

Na Cia de Talentos, consultoria que recruta jovens para parte dos programas no país, essa mudança é clara. Em 2000, dos 100 processos seletivos, apenas 10 foram feitos no primeiro semestre. Neste ano, 40% dos programas devem ocorrer nos primeiros seis meses. "Além disso, neste ano o número de vagas também cresceu", diz Tais Amaral, gerente de talentos da Cia.

Antecipação

A multinacional americana Whirpool, por exemplo, transferiu seu processo seletivo anual de agosto para abril. "Nos antecipamos", diz gerente de RH e desenvolvimento da Whirlpool Latin America, Úrsula Angeli. "Antes, era comum chegar ao final do processo e os candidatos estarem envolvidos também com outros processos."

Na Whirpool a mudança ocorreu no ano passado - quando, coincidência ou não, a empresa recebeu 30% mais inscritos, que chegaram a 13.500 candidatos. Desse funil saíram 23 escolhidos, dentre os quais estava Letícia Serra Tavares, 24 anos.

Então no último ano de administração de empresas na unidade de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo, ela conta que se inscreveu para oito programas. Como o da Whirlpool foi o primeiro, recebeu a resposta antes e acabou descartando as etapas de seleção dos demais.

"Eu conhecia a empresa como consumidora. Durante o processo seletivo, ouvi sobre seus valores, participei de atividades e me identifiquei. Não tinha porque participar de outros processos."

Edição especial

Há 90 anos no Brasil, a americana GE realiza pela primeira vez uma edição especial de seu processo de seleção, que normalmente ocorre em agosto. "Com a demanda em alta, precisamos de novos profissionais para acompanhar o crescimento da empresa", diz a coordenadora dos programas de liderança da GE, Karen Ramirez.

De acordo com Karen, a seleção extra deve entrar para o calendário de seleção da empresa. "Selecionar na primeira parte do ano torna o processo menos estressante para o candidato, mesmo com uma oferta de vagas menor", afirma a coordenadora.

A economia aquecida também fez com que a rede Riachuelo abrisse mais um processo seletivo no primeiro semestre. A companhia busca 50 novos trainees, motivada pela expansão de lojas no País, que deve passar de 125 para 147 até o final deste ano.

Pós-trainee

Segundo Leyla Nascimento, da ABRH, o índice de retenção dos programas de trainee do Brasil gira em torno de 32% a 35%.

Ou seja, a cada três profissionais que finalizam a etapa de treinamento - que leva até dois anos e meio - apenas um decide continuar na empresa.

"Esse jovem é muito seletivo", aponta. "Depois de um programa em uma empresa renomada, a empregabilidade desse candidato é quase imediata", afirma.

Na GE, porém, Karen afirma que este índice é quase total. Na Whirlpool, o nível de retenção de talentos também é considerado alto: das 130 pessoas que entraram na empresa desde 2004, quando foi iniciado o programa de trainees, 70% ainda trabalham na companhia. Dessas, 43% já ocupam postos gerenciais e outros 15% são executivos.

veja também