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PF prende 2º policial rodoviário suspeito de fraude em concurso

PF prende 2º policial rodoviário suspeito de fraude em concurso

Atualizado: Terça-feira, 23 Novembro de 2010 as 3:49

Um segundo policial rodoviário federal foi preso nesta terça-feira (23) por conta dos desdobramentos da Operação Tormenta da Polícia Federal, deflagrada em 16 de junho passado e que investiga fraudes em concursos públicos em todo o país.

A prisão ocorreu após o a Polícia Federal concluir o inquérito sobre irregularidades em provas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) de 2008, disse o delegado Victor Hugo Rodrigues Alves, chefe da operação, ao G1 . O policial está entre os indiciados por fraude no concurso. Além disso, participou do concurso como candidato, tendo o gabarito em mãos, disse Alves.   De acordo com o delegado, a prisão aconteceu na capital paulista, onde o policial trabalhava, e contou com a ajuda da Corregedoria da Polícia Rodoviária em São Paulo. O policial preso trabalhava na sala onde as provas do concurso da Abin ficaram guardadas antes do exame.

Em julho, outro policial rodoviário federal acusado de participação nas fraudes em concursos foi preso.

Gabaritos da Abin por até R$ 100 mil

Na investigação sobre a seleção da Abin, a polícia conseguiu comprovar a participação ativa do agente no esquema que vendeu gabaritos do caderno de questões a candidatos, disse Alves. Segundo o delegado, nesse concurso as respostas custaram entre R$ 50 mil e R$ 100 mil, dependendo da condição financeira de quem comprava.

No inquérito, foram indiciados 15 candidatos e sete membros da quadrilha. A PF diz que o grupo que chefiou a fraude é o mesmo envolvido no Exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de 2009 e na prova do concurso da Polícia Federal de 2009 , sendo que alguns integrantes mudam de acordo com a seleção.

A PF pediu a prisão do policial sobre os argumentos de conveniência da instituição criminal, e garantia da ordem pública, já que ainda não foi comprovada a efetiva participação do policial. O decreto de prisão foi dado pelo juiz Herbert Cornélio Pieter de Bruyn, da Justiça Federal em Santos (SP), onde corre o processo.

15 candidatos indiciados

De acordo com o delegado da PF, o inquérito sobre as fraudes no concurso da Abin foi relatado e apresentado para a Justiça Federal no dia 28 de outubro.

Os 15 candidatos indiciados são aqueles que, sendo a PF, tiveram acesso aos gabaritos das provas. Desses, apenas uma candidata havia passado nas demais etapas do concurso e tomou posso como oficial de inteligência. Nesse caso, a PF pediu o afastamento da servidora.

A PF descobriu ainda que outra candidata que comprou o gabarito entrou com liminar na Justiça por ter sido reprovada no exame psicológico. A PF encaminhou as informações sobre a participação dela na fraude ao juiz responsável pelo caso. Essa candidata reprovada é filha e irmã de dois dos 41 candidatos suspeitos de fraudar o concurso para auditor fiscal da Receita Federal em 1994, caso que ainda está sendo investigado pela PF, também como desdobramento da Operação Tormenta.

Ponto eletrônico na prova

Os outros 13 candidatos indiciados não passaram nas demais etapas do concurso da Abin e foram reprovados. Segundo o delegado, alguns deles confirmaram até terem usado ponto eletrônico na hora da prova.

Os candidatos foram indiciados pelos crimes de receptação e estelionato. Os membros da quadrilha foram indicados por peculato, violação de sigilo funcional qualificada, formação de quadrilha, corrupção e estelionato qualificado consumado ou tentado.

A operação também apura irregularidades em concursos público da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).    

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