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Saiba o que leva cientistas a publicar em revistas internacionais

Saiba o que leva cientistas a publicar em revistas internacionais

Atualizado: Sexta-feira, 27 Maio de 2011 as 2:32

A publicação de artigos científicos nas revistas “Nature” e “Science” é vista pelos pesquisadores do Brasil como um meio para obter visibilidade, que traz reconhecimento na academia e na mídia e pode facilitar a obtenção de financiamentos e a publicação de textos em outros periódicos de ciência. A pesquisa de doutorado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, realizada pela jornalista Germana Barata, também mostra as estratégias usadas pelos cientistas brasileiros para conseguir inserção nas duas publicações, como a participação em projetos internacionais.

Citação de instituições brasileiras aumentou

a partir da década de 80 do século XX

O estudo contém uma análise histórica da contribuição dos pesquisadores de instituições brasileiras nas revistas “Nature” e “Science”, dos Estados Unidos, entre 1936 e 2009. O levantamento aconteceu na base de dados International Science Index (ISI) e na própria coleção das revistas, consultada na biblioteca da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “A participação brasileira cresceu ao longo dos anos, com maior aumento do número de citações a partir da década de 80 do século passado, devido a colaboração mais intensa em projetos de pesquisa internacionais”. O doutorado teve orientação do professor Gildo Magalhães, do Departamento de História da FFLCH.

Ao todo foram 370 menções na “Nature” (1937 a 2009) e 254 na “Science” (de 1936 a 2009). As contribuições após 1990 representam 47% do total na “Nature” e 66,9% na “Science”. Nos primeiros anos, a maior participação brasileira acontecia nas áreas de Biologia e Física. A partir da década de 90 do século passado, considerando apenas os textos classificados como artigos, a principal contribuição acontece na parte de Genética, em especial Genômica e biologia molecular.

“Ao longo do período analisado, a média de autores brasileiros por artigo permanece estável, variando de dois a três por artigo. No entanto, a partir do final dos anos 80 do século XX, aumenta enormemente o numero de co-autores de outros países”, aponta a pesquisadora.

Em artigos mais recentes, é frequente a presença de pesquisadores do Brasil em artigos do tipo “mega science”, assinados por até centenas de pesquisadores, como em textos sobre genoma. “Aproximadamente 70% das contribuições são dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, fato que reflete a tradição científica e o volume de investimentos em ciência e tecnologia realizados nessa região”, conta Germana.

Impacto

De acordo com a pesquisadora, o interesse pela Amazônia, sobretudo na “Science”, leva a veiculação de uma grande produção de pesquisadores do Pará e Amazonas, nas áreas de mudanças climáticas, desmatamento e biodiversidade. “O Distrito Federal também tem uma contribuição significativa, devido à Universidade de Brasília (UnB) e órgãos de pesquisa governamentais”, aponta.

A jornalista também entrevistou 16 pesquisadores que tiveram artigos publicados, para verificar o impacto na carreira, nos meios acadêmicos e científicos e as estratégias usadas para publicação de trabalhos. “A “Science” e a “Nature” rejeitam cerca 90% dos artigos enviados, sendo que 75% não chegam a ser avaliados por especialistas”, ressalta. “Estabelecer parcerias internacionais pode ajudar a facilitar a aprovação, bem como citar artigos anteriores publicados anteriormente nas duas revistas.”

Os cientistas almejam a visibilidade que as publicações trazem, embora a pesquisa tenha mostrado que 30% dos artigos não chegam a ser citados em outros textos científicos. “Publicar nesses periódicos significa obter o reconhecimento de seus colegas cientistas da Universidade e de sua área de atuação e na mídia em geral, “o que passa a funcionar como um passaporte para integrarem uma elite científica internacional”, observa Germana. “Isso pode representar facilidades para obter financiamento de pesquisas, participação em comitês internacionais e aprovação de artigos em outros periódicos científicos”.

Com relação ao conjunto da produção científica individual, a maioria dos pesquisadores entrevistados deu menos importância aos artigos da “Science” e “Nature”, pois em muitos casos a participação intelectual no texto é pequena. “Há vários casos em que o cientista realizou apenas o procedimento, sem contribuir com a elaboração do artigo”, destaca a pesquisadora. “O maior atrativo é a visibilidade, mesmo que seja a publicação de uma revisão, comentário ou carta ao editor, que alguns colocam no currículo como artigos completos indexados em periódico internacional”. (Agência USP de Notícias)

Mais informações: email [email protected]

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