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Veja como são escolhidos os presidentes de empresas

Veja como são escolhidos os presidentes de empresas

Atualizado: Terça-feira, 10 Maio de 2011 as 4:45

Os diretores presidentes de empresas, também conhecidos por CEOs, passam por um verdadeiro pente-fino até serem escolhidos para comandar as empresas. Trabalham de forma sigilosa na escolha desses profissionais os chamados headhunters, ou caça-talentos, com experiência em seleção de executivos. O trabalho envolve bastante responsabilidade, pois os profissionais escolhidos vão representar e carregar a imagem institucional de grandes organizações com remunerações que variam em média de R$ 40 mil a R$ 100 mil.

A Vale anunciou na semana passada a contratação de uma empresa internacional de seleção de executivos para contratar o novo presidente. A empresa fez uma lista com três nomes para escolha final dos acionistas e do conselho de administração do novo comando da companhia (veja na reportagem no vídeo acima).

O G1 entrevistou consultores de empresas de recursos humanos que selecionam executivos de alto escalão sobre como funciona a escolha e os requisitos exigidos.

De acordo com Renato Grinberg, especialista em carreiras e diretor geral da Trabalhando.com, 80% de todas as vagas no mundo todo são preenchidas por meio de indicação, e é por esse meio que são escolhidos os CEOs. Por isso, para serem bem-sucedidos na escolha dos profissionais, os headhunters têm uma grande rede de contatos, o chamado networking.

Tem que estar empregado

O coach Homero Reis, da Homero Reis e Consultores, diz que cargos estratégicos como os de presidentes de empresas não são anunciados em jornais tampouco em sites de emprego. "Quem busca esse tipo de emprego não se coloca em anúncios como ‘executivo de alto nível procura oportunidade’. Os profissionais com esse perfil não estão visíveis para o mercado comum", diz.

"A preferência é por quem já está empregado em outras empresas. As organizações querem o cara top de mercado, pois o cargo tem um peso muito maior do que a própria competência. Por isso, tem que ter pedigree também, vir de uma grande organização, estar acostumado a lidar com investidores, com as oscilações do mercado", diz Grinberg.

"Você não vai contratar um executivo que está desempregado ou alguém que está colocando anúncio no jornal. Você vai olhar no mercado quais os executivos que estão atuando na área e com o perfil desejado, diz o coach Homero Reis.

De acordo com Carmen Miranda, consultora do Grupo Foco, geralmente os profissionais "caçados" são os que já são CEOs ou que já ocupam um cargo de alto nível na área de negócios.

Grinberg diz que em cargos de liderança você não vê o efeito imediato da contratação, como é o caso de cargos técnicos, por exemplo. "Demora cerca de seis meses para saber se aquela pessoa escolhida foi a correta para o cargo. O andamento da empresa depende daquela pessoa, e uma contratação errada envolve perda de dinheiro".

O consultor da Trabalhando.com diz que não é relevante que o diretor presidente escolhido esteja no mesmo ramo da empresa que busca o profissional. "Quanto mais alto o cargo, menos relevante fica a área. Claro que se contratar uma pessoa que esteja atuando em área similar é melhor, mas o que importante é a liderança do profissional", afirma.

De acordo com Reis, boa parte do salário vem do percentual do resultado que ele consegue obter na organização. Além disso, existem pacotes de benefícios como viagens pagas para outros países com a família, uso de jatos particulares e de carros blindados com motorista, hospedagens sempre em hotel cinco estrelas, entre outros.

Reis adverte que o profissional que se aproveita da abordagem do headhunter para conseguir aumento de salário na empresa em que está é visto como antiético no mercado. "Fazer o jogo da remuneração para aumentar o cacife queima o profissional. Existe até um protocolo de intenções que, depois de assinado entre o headhunter e o profissional, não é possível voltar trás, pois há cláusulas de ressarcimento", diz.

Requisitos

Carmen afirma que os headhunters focam a seleção nas habilidades gerenciais, capacidade de liderar mudanças, para alcançar os objetivos da empresa e de trazer soluções inovadoras, além de valores pessoais e princípios de ética, compromisso e caráter. "Entretanto, às vezes o profissional tem todas as habilidades necessárias, mas não se adapta aos valores e visões da empresa", diz.

Para Grinberg, capacidade de negociação e de saber até onde é possível arriscar, liderança que traz motivação e inspiração até durante crises econômicas, capacidade de tomar decisões rápidas, clareza da situação, positividade na ação e maturidade são os requisitos buscados pelos selecionadores. "Fazem a diferença a inteligência emocional, a capacidade comportamental e para lidar com gente", diz Grinberg.

Segundo Reis, é possível o profissional se tornar CEO de uma grande organização após ter trabalhado em cargos de alto escalão em empresas menores. Para Grinberg, no entanto, em algum momento da trajetória esse profissional precisa ter passado por uma grande empresa em cargo de gerente, por exemplo.

"As chances são menores para quem sempre ficou numa empresa pequena, mesmo em cargo de liderança. Por isso, é importante passar por empresas grandes, mostra que

a pessoa batalhou para subir de cargo dentro da empresa e isso já abre portas", diz Grinberg.

Para os consultores, os profissionais estão se tornando CEOs cada vez mais cedo. Homero Reis diz que a idade dos CEOs caíram vertiginosamente nos últimos 15 anos

"Nós chamamos isso de fenômeno da ‘juvenização’ da gestão. Antes a média era de 45 anos e hoje é de 35", diz.

Reis diz que em empresas ligada às áreas de informática, tecnologia, design e comunicação, por exemplo, há profissionais altamente competentes, com habilidades e atitudes com idades de 28 a 30 anos que passaram a ocupar cargos de direção.

O coach afirma que os cargos de direção são ocupados tanto por homens como mulheres. "A relação está meio a meio", diz.

Já de acordo com Grinberg, a média é aos 40 anos. "Se até os 40 o profissional não chegou a uma posição de liderança, depois as chances ficam menores porque o mercado entende que ele não deu o gás suficiente, não mostrou capacidade durante a fase que tinha mais energia e ambição", diz.

O consultor ressalva que há aspectos naturais de desenvolvimento humano pelos quais o jovem ainda não passou. "Por isso, é necessário se cercar de pessoas mais experientes e competentes", comenta Grinberg.

"Tem que ter pelo menos 40 anos para ter competência para ser um CEO. Tem que ter vivência na área comercial, financeira, gestão de pessoas. Para gerenciar uma empresa tem que ter uma visão ampla e experiência de vida, além de ter passado por situações diversas", afirma Carmen.

Como o headhunter trabalha

O headhunter é o profissional que vai atrás dos executivos de acordo com o perfil buscado. De acordo com Grinberg, há o headhunter que trabalha de forma autônoma e o que atua em consultorias de hunting, recrutamento e seleção. "O headhunter tem que prever que o candidato será bem-sucedido na empresa, ele trabalha como um oráculo", diz.

De acordo com Homero Reis, o headhunter acompanha o que está acontecendo nas empresas, aí seleciona as organizações que são referências em determinas áreas. "Ele conhece a demanda de uma empresa e sabe no mercado quais as melhores organizações que têm aquele perfil de profissional requisitado, aí ele telefona para esse profissional, convida para um almoço, fala a proposta, e as negociações vão evoluindo até se consolidar o processo", diz Reis.

Reis diz que é apresentado um pacote de remuneração com benefícios oferecidos e, em contrapartida, o que o cargo exige e os resultados buscados.

De acordo com Carmen, como o cargo é estratégico, a abordagem é sigilosa. "Os contatos podem ser feitos em empresas concorrentes ou nas que os clientes designam como interessantes", diz.

De acordo com Grinberg, o headhunter verifica as empresas pelas quais o profissional passou e conversa com quem trabalhou com ele para saber se tem a capacidade para assumir o cargo. "A escolha pode demorar cinco meses", diz.

Após serem escolhidos, os profissionais passam por entrevistas com o headhunter e o conselho de administração da empresa. "Mas não é só a corporação que escolhe o CEO, o profissional também escolhe a empresa, e a entrevista é mais um bate-papo", diz Grinberg.

O consultor diz que são escolhidos de três a quatro finalistas após ser abordada uma média de 10 pessoas e depois o conselho da empresa dá a palavra final.

Os headhunters, segundo os consultores, costumam ter formação em psicologia e experiência na área de hunting e em mercado de negócios e ambientes corporativos.

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