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Abu Dhabi sai de cena do Mundial como palco do maior time da década

Abu Dhabi sai de cena do Mundial como palco do maior time da década

Atualizado: Segunda-feira, 6 Dezembro de 2010 as 2:39

Foi rápido, mas marcante. A rica cidade de Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes, está longe de respirar futebol. Mas como sede por dois anos do Mundial de Clubes, foi palco do título mais importante do maior time da década. Em dezembro de 2009, sete meses antes de a Espanha conquistar sua primeira Copa do Mundo, na África do Sul, o Barcelona de Messi, Xavi, Iniesta & Cia. já dava as cartas e anunciava quem seriam os novos donos do planeta. O clube catalão chegava ao Olimpo e escrevia o nome na história ao conquistar o até então inédito Mundial de Clubes.

A decisão, vencida por 2 a 1 sobre o Estudiantes de La Plata, da Argentina, nem chegou a ser um jogaço de bola. Teve, sim, um belo gol de Messi, com o peito, para carimbar o título no Estádio Zayed Sports City. Mas serviu para marcar a grande era do Azul-Grená e a passagem do país do petróleo pelo circuito de gala do esporte mais apaixonante.   Não tem sido, pelo menos até agora, uma aparição esfuziante a do povo árabe. Os pouco mais de 43 mil pagantes no ano passado, no entanto, deram um capítulo digno ao país que esbanja riqueza e modernidade. Agora, com Internazionale de Milão e o Internacional brasileiro, gaúcho, existe até uma expectativa de bom público antes de a sede do campeonato da cobiçada taça voltar, a partir de 2011, a ser no Japão, que tem um povo, sem dúvida, mais louco por futebol.   - Ah, tem muita propaganda por aqui antes do Mundial, sim. O marketing aqui é forte não só nesta competição, mas em qualquer evento. O povo aqui gosta de acompanhar competições internacionais. Foi o caso recente da Fórmula 1. Fora que a estrutura é a melhor possível. Os estádios de futebol estão lindos, os gramados são uns tapetes... Agora, o que eles curtem mesmo aqui é praia e esportes náuticos. Mas gostam de futebol - afirmou o técnico Abel Braga, que mora em Abu Dhabi desde 2008, quando deixou o Inter para treinar o Al Jazira.

O sheik da bola

O clube treinado por Abel pertence ao personagem principal da história toda: o bilionário sheik Mansour bin Zayed Al-Nahyan, dono também do Manchester City e do Abu Dhabi United Group, o grupo de investimentos que levou Robinho para o clube inglês. Foi Mansour que conseguiu levar para a capital dos Emirados Árabes a última etapa da Fórmula 1 e o Mundial de Clubes da Fifa nas duas últimas temporadas.   Mansour é irmão de Khalifa bin Zayed al Nayhan, presidente dos Emirados Árabes. Segundo matéria da revista “Four Four Two”, a fortuna da família é estimada em US$ 1 trilhão. E o sheik já mostrou bem o seu poder. Quis porque quis levar Robinho para o City, e na época desembolsou € 40 milhões pelo atacante, hoje no Milan. Para ter Rafael Sobis no Al Jazira, pagou € 19 milhões. Chegou a oferecer 100 milhões de libras por Kaká, que preferiu ir depois para o Real Madrid.

Na construção de todo o complexo da Yas Island, onde foi construído o circuito da Fórmula 1 e o Ferrari World, com a montanha-russa mais rápida do mundo, fora o parque da Warner e a marina, a estimativa - não oficial - é que Mansour tenha desembolsado € 26 billhões.

A ideia sempre foi a de transformar a cidade na "Mônaco" do Oriente Médio. Em uma ilha ali por perto, a Saadyiat Island, parte de Abu Dhabi, está em construção um enorme centro cultural, com filiais do Museu do Louvre, de Paris, e do Guggenheim. O ar ocidental é claro nas ruas. Ferraris, Porsches e Mustangs aceleram enquanto belas mulheres de minissaias já se misturam às mais conservadoras, ainda com o hijab, que cobre todo o corpo.   Europeus na área

O alto investimento para criar um forte polo turístico já surge da preocupação do dia em que acabar o petróleo na região, ainda abundante. Mas há também uma rivalidade entre cidades e sheiks bilionários que adoram futebol. O Al Ahli é ligado à família real de Dubai. O presidente do clube é o príncipe Hamdan bin Mohammed bin Rashid Al Maktoum, filho do sheik Mohammed bin Rashid Al Maktoum, vice-presidente dos Emirados Árabes e governante de Dubai. Dizem que o sonho do príncipe é comprar o Liverpool, que seria seu time de coração.

- O futebol inglês é muito forte aqui, realmente. É mais fácil encontrar camisas do Manchester, do Liverpool, do que de um clube árabe. Fui a um jogo do Al Jazira que não estava lotado, tinha umas 30 mil pessoas. A torcida é meio fria, a do Al Wahda é mais animada. O Brasil x Irã estava vazio... Mas eles gostam de futebol - afirmou Edvan Sanches, engenheiro de petróleo da Odebrecht, desde março morando em Abu Dhabi, para construção de uma plataforma.

Edvan não viu ainda muita movimentação em torno do Mundial, mas lembra que parte da megaestrutura montada em torno do GP de Fórmula 1, disputado em 14 de novembro, será aproveitada, principalmente na Praia de Corniche, onde foram realizadas as Fanzones, espécie de Fan Fests dos tempos da Copa do Mundo. Na última prova do Mundial de Pilotos, os europeus invadiram não só as festas como também as arquibancadas do circuito. A expectativa é a mesma com o Inter de Milão.

- Tem muito italiano aqui no país também. Mas o Inter de Milão não possui o peso do Barcelona. Eu quero ir aos dois jogos do Internacional. O que puder fazer para ajudar... Gostaria de recebê-los lá em casa. Tenho um carinho enorme pelo clube, um dos que mais cresceram nesta última década em todo o mundo. A estrutura que o Inter oferece hoje... - afirmou Abel, com nostalgia do Colorado, onde conquistou o título mundial de clubes em 2006, em Yokohama. Justamente para onde vai voltar a competição, em 2011.

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