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Acostumado às críticas, Nezinho quer agarrar a chance de jogar o Mundial

Acostumado às críticas, Nezinho quer agarrar a chance de jogar o Mundial

Atualizado: Quarta-feira, 4 Agosto de 2010 as 1:50

A esposa, a filha de 5 anos, o filho de 1 ano e 9 meses. É com esta plateia em mente que Nezinho entra em quadra hoje em dia para jogar basquete. Desde sempre acostumado a receber rajadas de críticas pelo estilo “irresponsável” dentro da quadra e “imaturo” fora dela, Welington Reginaldo dos Santos acaba de ganhar mais uma chance na seleção brasileira para provar o contrário. Na última, em 2007, saiu chamuscado após peitar o técnico Lula Ferreira e se recusar a entrar em quadra durante uma partida do Pré-Olímpico. Repetir a cena hoje? Impossível, ele garante.

- A palavra principal é amadurecimento, de forma global, tanto do meu jogo como da minha pessoa. Quando você fica mais velho, vê as coisas de um jeito diferente. Isso me ajudou bastante dentro da quadra. A chegada dos filhos muda muito. Eu já sei que preciso ter mais consciência, sei o que não posso fazer, sei que tem um pessoal lá em casa me esperando – contou Nezinho, durante meia hora de conversa franca após o treino de segunda-feira, no Marina Barra Clube, no Rio.

Campeão Sul-Americano com a equipe B no fim de semana, o armador foi puxado para o grupo principal. Só não vai ao Mundial da Turquia se houver uma reviravolta muito grande na cabeça do argentino Rubén Magnano, que ainda tem 13 jogadores no grupo e precisa fazer um corte. Quando o nome de Nezinho foi anunciado como um dos reforços, muita gente chiou. Ele já está acostumado.

- Isso já me incomodou bastante. Até 2004, 2005, eu via aquilo, alguém me ligava e dizia: “Nossa, você viu o que estão falando?”. Eu ficava mal até para entrar na quadra. Mas hoje, com a experiência, isso me dá força para querer treinar mais. Se eu estiver confiante, podem falar o que quiser, que eu sou feio, que eu chuto bola, que faço isso, que faço aquilo. Não me perturba mais - garante.

Dentro da quadra, o armador ganhou fama de arremessador compulsivo, mas sabe que, na seleção, o papo é outro.

- A gente tem que saber se colocar. Eu sou um armador que também gosta de arremessar. Mas quando chego aqui, tem o Leandrinho, o Alex, o Marcelinho. Já joguei em times onde eu tinha que armar e chutar, como Assis, Limeira. Aqui na seleção meu estilo de jogo muda muito, não vou ficar tacando bola toda hora - explica.

Fora das quatro linhas, ele assegura que o episódio com Lula Ferreira está totalmente superado.

- No mesmo dia, quando chegamos ao hotel, eu liguei para o quarto do Lula, perguntei se podia falar com ele, e ele disse que sim. Conversamos, pedi desculpas à pessoa e ao técnico. Ele falou que eu tinha agido errado, que não poderia ter feito aquilo. Voltei para o Brasil, falei a mesma coisa com a imprensa, publicamente. E a gente resolveu. Graças a Deus isso foi superado e eu pude voltar à seleção – diz o jogador, que foi treinado por Lula no Brasília durante a última edição do NBB.

Em paz com a seleção, Nezinho está pronto para deixar a esposa e os filhos com orgulho. E faz questão de falar do pai, que tenta superar um problema de saúde em Araraquara, no interior de São Paulo.

- Uma semana antes da apresentação, ele teve um AVC (acidente vascular cerebral) e ficou com o lado direito do corpo paralisado. Hoje já está andando e se recuperando legal. Ele falou: “Vai para a seleção, que eu vou me tratar, vou melhorar”.

Nezinho atendeu ao pedido. Agora a bola está com ele.

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