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Adaptado para Copa, Maracanã terá gramado menor que o da Vila Belmiro

Adaptado para Copa, Maracanã terá gramado menor que o da Vila Belmiro

Atualizado: Quinta-feira, 12 Agosto de 2010 as 10:08

O governo do Estado do Rio anunciou o resultado da licitação que definiu a empresa responsável pelas obras no Maracanã para a disputa da Copa do Mundo de 2014. Além das melhorias de infraestrutura, uma mudança vai afetar substancialmente aquele que já foi considerado o maior estádio do mundo. Desde sua inauguração em 1950 (justamente para a realização da primeira Copa no país), esta será a primeira vez que o campo de jogo será reduzido, medida esta determinada pela Fifa, que padroniza os tamanhos dos gramados para o Mundial. A dimensão, atualmente de 110m de comprimento por 75m de largura, vai passar a ser de 105m por 68m.

As adequações à modernidade, inclusive, vêm gradativamente descaracterizando o Estádio Mário Filho. Por motivo de segurança e melhorias estruturais, ele já tivera sua capacidade de público reduzida para 82.238 espectadores. Em 1969, na vitória da Seleção Brasileira sobre o Paraguai por 1 a 0, pelas Eliminatórias para a Copa de 70, comportou 195.513 presentes, recorde mundial que dificilmente será batido algum dia. Dentre as dezenas de reparos e melhorias até hoje, o estádio viu seu gramado ser reformado algumas vezes (como em 2005, quando foi rebaixado em 1,5m), mas agora, o ‘gigante’ terá seu palco reduzido.

O campo do Maracanã sempre foi um dos mais amplos do país, para satisfação dos jogadores habilidosos, que encontram mais espaço para jogar. Mas isso vai ficar, em breve, no passado. Na lembrança dos craques. Com a alteração, terá proporções menores que as da Vila Belmiro, inaugurada em 1916. Com a capacidade para 15.800 expectadores, o campo do estádio do Santos tem aproximadamente 106m por 70m.   A redução das dimensões do gramado do mais tradicional estádio brasileiro divide opiniões dos principais afetados pela mudança: os jogadores.

- Acho que a redução será uma grande perda para os times do Rio. As medidas atuais agradam bastante aos jogadores, e todo mundo gosta de atuar em campos com esse tamanho. Não acredito que irá beneficiar os times, mas somos profissionais e temos que estar prontos para jogar em qualquer lugar – disse o zagueiro Leandro Euzébio, do Fluminense.

Já seu companheiro Julio César tem opinião diferente lembrando os benefícios que serão proporcionados pela diminuição do gramado. Principalmente para os laterais.

- O campo reduzido é melhor devido ao menor desgaste para os laterais, que têm a obrigação, muitas vezes, de apoiar e defender. Mas, por outro lado, o jogo pode ficar mais truncado e consequentemente apertado devido ao pouco espaço. Acho que isso é questão de adaptação. Vai ficar apertado para todo mundo no inicio. Depois é se adaptar – ressalta o lateral tricolor.

Adequação também é a palavra de ordem para Marcelo Lomba. O goleiro do Flamengo enfatiza a importância de o estádio estar dentro dos padrões para receber o Mundial.

- Tudo é uma questão de adaptação. Hoje, o Flamengo está acostumado a jogar no Maracanã, temos laterais rápidos e nós gostamos de campos grandes. Mas também sempre estamos jogando em todos os tipos de campo neste Brasileiro. Se essa mudança é importante para a Copa do Mundo, não vejo problema – destacou o atual camisa 1 rubro-negro.

O volante Leandro Guerreiro, por sua vez, fez uma análise mais pessoal, lembrando os benefícios para seu desempenho e de seus companheiros do Botafogo.

- O Maracanã sempre foi conhecido por ser um campo grande, bom de se jogar. Mas, pensando bem, deve ficar parecido com o do Engenhão, o que para a gente é ótimo. Treinamos todos os dias lá e estamos acostumados a essas dimensões – lembra o meio-campista alvinegro. O gramado do estádio do Glorioso tem exatamente as medidas impostas pela Fifa, 105m por 68m.

De todos os campos no Brasil, somente o do Serra Dourada, em Goiânia, com 118m por 80m, tem dimensões superiores às atuais do Maracanã. O palco da final da Copa do Mundo atualmente tem medidas semelhantes às do Beira-Rio, Mineirão, Morumbi, Pacaembu, Machadão (RN) e Mangueirão (PA). Representante de Minas para sediar a Copa e já em início de reforma, o Mineirão terá de passar pela mesma redução. Reforma reversível

Segundo a Emop (Empresa de Obras Públicas) do Rio, entretanto, a diminuição do gramado poderá ser revertida após a disputa do Mundial. Tudo dependeria de solicitação dos clubes ou da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro).

O orçamento apresentado pelo Consórcio Brasil, vencedor da licitação, é de R$ 705,6 milhões. No início da candidatura do Rio de Janeiro para a Copa do Mundo, o Estado do Rio de Janeiro anunciava que as obras gastariam, no máximo, R$ 500 milhões. E que tudo seria financiado com o dinheiro da iniciativa privada. Algo que não vai acontecer. Se adicionados os investimentos para o Pan-2007, os gastos chegarão a quase R$ 1 bilhão. O prazo prometido para a conclusão dos trabalhos é 31 de dezembro de 2012, a tempo do estádio receber a Copa das Confederação em 2013.

Nesta sexta-feira, haverá uma reunião com as presenças do secretário estadual de obras, Hudson Braga, da secretária estadual de esportes e lazer, Márcia Lins, representates da Casa Civil e do consórcio vencedor da licitação. No encontro, serão definidas as datas para o início das obras no Maracanã. A previsão, no entanto, é que a reforma comece entre a segunda quinzena de agosto e a primeira semana de setembro.

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