MENU

Antes de ser carrasco do Timão, o menino Pelé torceu pelo Corinthians

Antes de ser carrasco do Timão, o menino Pelé torceu pelo Corinthians

Atualizado: Terça-feira, 19 Outubro de 2010 as 11:36

Nos anos 60, bastava ouvir o nome de Pelé para os corintianos sofrerem calafrios. O Rei do Futebol não tinha piedade quando do outro lado estava o clube do Parque São Jorge. No período em que defendeu o Santos, foram nada menos que 49 gols marcados em clássicos contra o Timão: foi o maior carrasco da história do Corinthians. Mas o que parecia ódio já tinha sido amor. Antes de se consagrar como Atleta do Século, Edson Arantes do Nascimento era torcedor declarado do Corinthians, garantem alguns amigos de infância.

Pelé chegou a Bauru com apenas quatro anos e passou o fim dos anos 40 e início dos 50 convivendo com bons momentos da história do Corinthians. O clube foi vice-campeão estadual em 1945, 46 e 47, mas voltou a ficar com o título em 51 e 52. Nesse período, o craque já encantava nos campos de várzea da cidade e buscava inspiração em um goleador alvinegro: Baltazar, apelidado de Cabecinha de Ouro.

O sucesso do centroavante era tanto que rendeu até uma marchinha, extremamente popular na época, escrita por Alfredo Borba. “Gol de Baltazar, Gol de Baltazar. Salta o Cabecinha, 1 a 0 no placar", dizia a música. Pelé, atento aos jogos pelo rádio, vibrava cada vez que o ídolo balançava as redes.

- Ele era corintiano, sim.Eu também era e ainda sou. Ele era também muito fã do Baltazar. Todo gol que fazia de cabeça, saía gritando que era gol do Baltazar – contou Raul Marçal da Silva, melhor amigo de infância do Rei.

- Pelé tinha até um time de futebol de botão do Corinthians. O irmão dele, o Zoca, era palmeirense – lembra o jornalista Luiz Carlos Cordeiro, editor da Revista Atenção e autor do livro "De Edson a Pelé", sobre a infância e o começo da adolescência do Rei em Bauru.

A década de 50 continuou recheada para os corintianos. Em 1954, o Timão ficou com o título Paulista, correspondente ao quarto centenário de São Paulo. Pelé, já um mito entre os garotos bauruenses por seus feitos com a bola, vibrou com a conquista.

- Nós estávamos saindo de um jogo do Noroeste quando alguém gritou que o Corinthians tinha sido campeão. Nós saímos pulando pela rua, comemorando – revelou Raul, que conserva nas paredes do quintal da casa simples o amor pelo Timão.

Os anos de dedicação e o sucesso estrondoso obtido no Santos fizeram o jogador deixar de lado o carinho pelo Corinthians. Mais que isso, virou carrasco. Foi ele o maior responsável pelo histórico jejum de quase 11 anos sem vitórias do Timão sobre o Peixe, quebrado apenas em 1968.

- Prefiro não falar sobre isso. O Pelé jamais gostou quando alguém dizia que ele era corintiano – desconversou Aniel Chaves, delegado aposentado e ex-colega dele nos tempos de Bauru Atlético Clube.

Pelé, porém, aprendeu a amar outro alvinegro. Os gols de Baltazar, festejados pelas ruas de Bauru, viraram inspiração para que ele se transformasse no maior astro da história do futebol e conquistasse o carinho de milhões de santistas.

- Se eu tivesse virado ídolo do Santos, também não seria mais corintiano – completou Raul.

Por: Carlos Augusto Ferrari

veja também