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Após 25 anos, Corrida da Ponte volta à ativa, agora na versão século XXI

Após 25 anos, Corrida da Ponte volta à ativa, agora na versão século XXI

Atualizado: Sexta-feira, 15 Abril de 2011 as 9:49

A Ponte Rio-Niterói vai receber neste domingo cerca de oito mil atletas para a disputa da Corrida da Ponte, meia maratona que não acontece desde 1986. De lá para cá, muita coisa mudou na modalidade. Acessórios comuns hoje em dia, como isotônicos, carboidratos em gel, medidores de batimentos cardíacos e outros apetrechos, eram artigos de luxo ou simplesmente não existiam no início da década de 80. Atividades específicas comandadas por um personal trainer ou treinador também não faziam parte do cotidiano dos corredores de rua naquela época.

Corrida movimentava a via sobre a Baía de Guanabara durante o início da década 80 (Foto: Arquivo Pessoal)

  Agora, no ressurgimento de uma das provas mais charmosas do país, o quadro é diferente. Os tênis amortecem mais o impacto, as meias já não causam mais tantas bolhas, as camisas absorvem o suor, os chips definem o tempo de prova e as planilhas orientam o treinamento de cada atleta. Mesmo assim, há quem acredite que essas inovações não melhoraram a performance dos competidores. Pelo contrário.

- O corredor comum está muito pior. Antigamente se treinava muito mais do que hoje. A tecnologia ajuda a correr menos, porque naquele tempo arriscava-se mais. Era normal fazer 30 km todos os finais de semana. As provas de longa distância tinham muito mais gente. Hoje em dia, tem uma massificação das corridas mais curtas. As pessoas não têm forma física para correr distâncias maiores - acredita Marcelo Assunção, de 45 anos, que disputou a Corrida da Ponte na década de 80 e vai participar novamente da prova neste ano.

 

Vanessa Figueiredo venceu a prova em 1982 (Foto: Arquivo Pessoal)

  Vencedora da prova geral feminina em 1982, com o tempo de 1h29m24s, a psicóloga Vanessa de Figueiredo, de 57 anos, também vai disputar a corrida de 21,4 Km entre Niterói e o Rio de Janeiro. Apesar de reconhecer que a tecnologia ajuda o atleta a otimizar os treinos e acreditar em uma melhora na performance dos novos corredores, Vanessa também diz que sua geração chegava mais preparada para as provas de longa distância.

- Antigamente havia mais vontade dos atletas e menos tecnologia. Hoje as pessoas não treinam tanto e já acham que vão poder disputar qualquer corrida. Antigamente as pessoas estavam no início do movimento e eram mais comprometidas com o desafio. Atualmente competem sem estar preparadas – diz a psicóloga, que ganhou também a Maratona do Rio em 82, dois anos após começar a praticar corrida de rua.

Já o treinador Rubens D'Elia reconhece que a modalidade nos anos 80 era dominada por “fanáticos” por corrida de rua, enquanto atualmente o esporte é procurado por pessoas que procuram hábitos mais saudáveis, mas vê a mudança como positiva.

- O esporte cresceu muito nesses anos. Antigamente, os atletas encaravam o esporte como sofrimento e não tinham muito prazer. Hoje são pessoas que procuram se reunir em torno de um estilo de vida mais saudável. Além disso, o mundo mudou e, às vezes, são pessoas que trabalham mais e têm menos tempo.

Nos treinos, as inovações não são poucas: atualmente existem os grupos de corrida, as planilhas, os treinos intervalados, as academias e outros fatores que não faziam parte do cotidiano dos atletas no início dos anos 80.

- Por falta de informação e de treinadores especializados, os corredores se preocupavam apenas em treinar longas distâncias, e as pessoas tentavam fazer percursos próximos ao das corridas, preocupadas em fazer quilometragem - diz Vanessa, que atualmente treina uma vez por dia, enquanto antigamente corria duas vezes.

O cardápio também já não é mais o mesmo. Antigamente, frutas eram a base da dieta do corredor, enquanto os mais “modernos” encaravam vitaminas caseiras, diz Marcelo. Atualmente, com um maior número de nutricionistas e de alimentos sintetizados, os carboidratos em gel, os isotônicos e as barras de cereais se incorporaram ao universo das corridas de rua.

Sistema precário causava filas na chegada

Marcelo ao lado do filho Lucas, que ainda não era nascido na última prova na ponte (Foto: Divulgação)

  Como não poderia deixar de ser, a estrutura da prova também já não é mais a mesma. Se atualmente os competidores têm os tempos registrados através dos modernos chips, antigamente a apuração da Corrida da Ponte era manual, criando filas que cruzavam, inclusive, a linha de chegada, conta Marcelo.

- Antes, não havia medalha, camiseta, e o número era de pano preso no peito. Também não tinha banheiros e nem guarda-volumes. Ou seja, nós tínhamos que ir para Niterói com a roupa do corpo, independente do tempo que estivesse fazendo. O sistema de apuração ainda era manual. Só que a organização não dava conta e chegava a ter uma fila antes da linha de chegada - diz Marcelo, que vai correr ao lado do seu filho Lucas de 19 anos.

A primeira edição da Corrida da Ponte aconteceu em novembro de 1981 e atraiu três mil corredores. A prova se repetiu ano a ano até 1986, última vez em que foi disputada por conta do aumento da circulação de carros na via, o que acabou inviabilizando o projeto por duas décadas e meia.

Inclusive, para reduzir o tempo de bloqueio ao tráfego nas faixas da pista, os organizadores da prova exigem que só corredores que comprovarem ter completado uma meia maratona em no máximo 2h45m ou uma maratona em 5h30m nos últimos dois anos poderão se inscrever.

Veja o percurso da corrida, que vai sair na região das Barcas, em Niterói, até o Aterro (Foto: Divulgação)        

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