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Após confusão na China, brasileiros retornam: 'Quero apagar isso', diz Bial

Após confusão na China, brasileiros retornam: 'Quero apagar isso', diz Bial

Atualizado: Sexta-feira, 15 Outubro de 2010 as 7:26

Depois do susto, o alívio. Na noite desta quinta-feira, os jogadores do Joinville, que, representando o Brasil, se envolveram em uma confusão com a seleção chinesa, desembarcaram em São Paulo. Na cabeça, um único objetivo: deixar tudo para trás. O técnico Alberto Bial afirmou que o principal conforto foi o pedido de desculpas da federação de basquete do país asiático, que se despediu dos brasileiros com flores e uma carta. Agora, é seguir em frente.

- Voltamos fortalecidos. Representamos muito bem o Brasil, vencemos a seleção chinesa. Naquele momento, todos se ajudaram. Quero apagar isso da cabeça. O mais importante que fica é o pedido de desculpas, esse gesto de reconhecimento – disse Bial, que chegou a temer uma nova confusão durante o voo da província de Xuchang, onde o episódio aconteceu, na última terça-feira, até Pequim, já que os adversários embarcaram no mesmo avião.

A confusão, no entanto, deixa marcas. Um dos jogadores, o ala-pivô João Vitor, voltou com o braço inchado e a certeza de uma lesão. Ainda na China, pensou em fazer exames, mas não achou seguro deixar o hotel onde a equipe estava hospedada.

- Estou com o braço inchado. Mas, do jeito que estavam as coisas, achei melhor não me arriscar a sair do hotel. Não tive coragem. Estávamos em minoria lá. Quando víamos um dos jogadores caídos, íamos ajudar. Em uma hora, acabei caindo e me chutaram, acertando o cotovelo – disse João Vitor, que fará uma ressonância em Joinville para saber a gravidade da lesão.

O ala Paulinho, que sofreu o empurrão que iniciou a briga, diz que a ficha só está caindo agora. Na China, ele chegou a ser sondado para jogar na liga local. O atleta diz que até voltaria, mas só com outros companheiros.

- Na hora, foi muito difícil. O mais importante agora, no entanto, é que está tudo bem. O técnico deles (o americano Bob Donewald) já me treinou no Brasil e veio me provocar antes do jogo, dizendo que naquele dia eu não escapava. Tentei não entrar na pilha. Mas eles entraram com a mentalidade errada. Quando entramos no vestiários, vieram falar com a gente, para que o jogo retornasse, mas nos sentimos acuados. Acho que eles ficaram acuados. Eu até voltaria para lá. Recebi algumas sondagens, mas teria que combinar com outros jogadores para irem comigo - brincou. Donewald, aliás, é apontado pelos brasileiros como grande responsável pela confusão. De acordo com Bial, o treinador americano está doente da cabeça.

- Eu nunca tinha vivido algo parecido. Mas fomos tentando apagar. Ele (Donewald) está mal da cabeça. Ele influenciou os jogadores. Os chineses foram muito influenciados. Eles foram insuflados. Em vez de jogar, partiram para a violência – disse.

Shilton, pivô da equipe, levou um golpe no nariz, teve de usar tampões para conter o sangramento e chegou a temer pelo pior. Como o estádio, inaugurado com o amistoso, estava lotado com cerca de cinco mil pessoas e a polícia que fazia a segurança não interferiu na briga, pensou que algo mais grave pudesse acontecer.

- Está todo mundo inteiro, mas estávamos em minoria. Pensei que pudesse ser algo muito mais sério. Estávamos isolados contra cinco mil pessoas. A polícia não interveio. Eles tiveram a intenção maldosa. Também não sabíamos o que eles estavam falando, uma língua completamente diferente da nossa. Quando se cogitou que voltássemos ao jogo, tivemos medo de que algo mais sério acontecesse.

De acordo com Bial, além dos pedidos de desculpas, a federação chinesa prometeu uma punição mais séria. A CBA (Associação Chinesa de Basquete, em inglês) anunciou a suspensão dos treinos e jogos de sua seleção masculina após a pancadaria. O técnico brasileiro afirmou que o gancho deverá ser de uma semana.

A entidade já havia pedido desculpas aos jogadores brasileiros no dia seguinte e imediatamente impediu os treinos de sua seleção. As cenas de violência dos atletas chineses rodaram o mundo e complicaram a reputação esportiva da China.

Li Jinsheng, vice-presidente da CBA , prometeu punições duras aos principais nomes da confusão durante a partida, que servia de preparação para os Jogos Asiáticos. Ele disse ainda que a Federação Internacional de Basquete (Fiba) ficará ciente de todos os passos da investigação.

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